domingo, 30 de dezembro de 2012

2013

FELIZ 2013

A TODOS OS SEGUIDORES E LEITORES (FIEIS OU EVENTUAIS) DESTE BIPOLAR FLEXÍVEL
Amor, saúde e tranquilidade no ano que se aproxima!

Disposición final (por Marcos Rolim*)


"Digamos que eram sete ou oito mil pessoas que deveriam morrer para que ganhássemos a guerra contra a subversão. Não podíamos fuzilá-las. Tampouco podíamos levá-las à justiça". Com estas palavras, o general Jorge Rafael Videla começou a responder as perguntas do jornalista Ceferino Reato, na cela 5 da prisão federal de Campo de Maio, em Buenos Aires, onde ficará até o fim de sua vida. A entrevista, obtida entre outubro de 2011 e março de 2012, foi publicada no livro Disposición Final: la confesion de Videla sobre los desaparecidos (Sudamericana, 316 pg) que reúne, também, outros testemunhos. Para uma ideia de como o trabalho foi recebido na Argentina, recomendo o programa da TV C5N com o autor e com Estela Carlotto (das Avós da Praça de Maio), disponível em http://migre.me/cyZJt

Trata-se de material imprescindível para se compreender a história do fascismo na América Latina e para se pensar sobre porque esta ideologia se tornou tão influente nas Forças Armadas e nas elites econômicas da região. Aos 86 anos e sem a possibilidade de anistia, Videla resolveu falar. Assinala que "não está arrependido e que dorme tranquilo". A entrevista, na verdade, foi uma tentativa de justificar a tortura e os assassinatos com base no argumento do "mal menor", o mesmo, aliás, empregado pelos fascistas brasileiros. Para o general ultracatólico, já condenado a duas penas de prisão perpétua, o golpe queria "disciplinar uma sociedade anarquizada e conduzi-la para uma economia liberal"; uma receita que também não é estranha aos brasileiros acostumados à propaganda anti-Estado financiada pelos ricos.

Entre outras revelações, Videla conta que os militares elaboraram _ com o auxílio de empresários e lideranças civis _ uma lista com milhares de nomes de "subversivos", ainda antes do golpe de 24 de março de 1976. Seus integrantes seriam sequestrados e conduzidos a "interrogatórios" clandestinos. Os chefes militares de cada uma das cinco zonas em que o país foi dividido tinham carta branca para identificar os "irrecuperáveis", decidindo sobre os métodos de desaparição dos corpos. Jogá-los em alto mar, enterrá-los em locais ermos ou queimá-los foram as opções mais comuns. Videla sustenta que a prisão não funcionaria, lembrando que os condenados por subversão no governo do general Lanusse foram libertados como heróis logo após a posse do peronista Héctor Cámpora, em maio de 1973. Sumir com os corpos era uma forma segura de matar sem ter que responder por isso, impedindo também que as pessoas soubessem o que estava acontecendo. Muito prático.

Disposición Final (DF) é, no linguajar da caserna, o código para peças que não têm mais serventia. Os que aplicaram este código a pessoas na Argentina estão, em número cada vez maior, sendo mandados para a cadeia. Os argentinos decidiram punir os carniceiros _ como se sabe. Falta apenas apontar os empresários e os membros da Igreja que, ao longo de todo o processo de torturas e execuções, participaram, financiaram e abençoaram o horror. Sem o apoio ativo destes grupos civis não haveria o genocídio.

*Artigo publicado na página 14 da Zero hora de hoje. Bem ao lado do texto intitulado "Fones de ouvido", do "arquiteto e pensador católico" Percival Puggina que, lá pelas tantas diz o seguinte:

"Um dos fascínios da vida, aqui de onde eu a vejo, é a possibilidade de ouvir o que os jovens falam e o que alguns dizem aos jovens. Nessa tarefa instigante de ouvir, comparar e meditar, volta e meia deparo com a afirmação de que os anos 60 e 70 produziram uma geração de jovens alienados. Milhões de brasileiros teriam sido ideologicamente castrados em virtude das restrições impostas pelos governos militares que regeram o Brasil naquele período. Opa, senhores! Estão falando da minha geração. Esse período eu vivi e as coisas não se passaram deste modo.

Bem ao contrário. Nós, os jovens daquelas duas décadas, éramos politizados dos sapatos às abundantes melenas. Ou se era comunista ou se lutava contra o comunismo. Os muitos centros de representação de alunos eram disputados palmo a palmo. Alienados, nós? A alienação sequer era tolerada na minha geração! Todo santo ano, o DCE da UFRGS comemorava como data nacional o aniversário da Revolução de Outubro (revolução bolchevique de 1917). Havia passeata por qualquer coisa, em protesto por tudo e por nada. Surgiu, inclusive, uma figura estapafúrdia _ a greve de apoio, a greve a favor. É, sim senhor. Os estudantes brasileiros dos anos 70 entravam em greve por motivos que iam da Guerra do Vietnã à solidariedade às reivindicações de trabalhadores. Havia movimentos políticos organizados e eles polarizavam as disputas pelo comando da representação estudantil. O Colégio Júlio de Castilhos foi uma usina onde se forjaram importantes lideranças do Estado. As assembleias estudantis e os concursos de declamação e de retórica preparavam a rapaziada para as artes e manhas do debate político. Na universidade, posteriormente, ampliava-se o vigor das atuações. O que hoje seria impensável _ uma corrida de jovens às bancas para comprar jornal _, era o que acontecia a cada edição semanal de O Pasquim, jornal de oposição ao regime, que passava de mão em mão até ficar imprestável."

Uau! Fiquei imaginando o quanto o "arquiteto e pensador católico" aproveitou a "minha geração". O quanto protestou, fez greve, debateu e... leu o Pasquim avidamente. Acho que o problema dele, em ter dado no que deu, foi o excesso de sexo, drogas e rock&roll, baby... 

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Tiros em Columbine (de novo e até a próxima...)

Hoje eu e a Nanda fomos almoçar no restaurante que frequentamos desde que casamos, portanto há 19 anos. Lá, somos "de casa", amigos dos donos e das funcionárias. Ocorre que, por esses azares da vida, fiquei sentado exatamente de costas para um cara que almoçava na mesa mais próxima. Não sei quem é (nem quero saber!). Só sei que, para os que o acompanhavam (e, pelo tom de voz dele, para todos os demais presentes no restaurante), defendeu a necessidade de se ter armas, repetindo o chavão: "desarmaram o cidadão de bem e deixaram o vagabundo armado!".

Fiquei com azia. 

Segundo a Agência Reuters noticiou nesta semana, em todo território dos Estados Unidos "feiras de armas" ficaram lotadas de gente interessada em comprar "armas de assalto". Temem que, em decorrência do mais recente massacre de crianças em uma escola  de Connecticut, sejam adotadas, por parte do governo, medidas que restrinjam ou até proíbam a comercialização desse tipo de armamento. Consta que longas filas se formaram por cidadãos decididos a levar para casa, mesmo que por valores elevadíssimos, rifles de repetição. Os estoques se esgotaram rapidamente.

Uma dessas armas, uma AR-15, foi utilizada por Adam Lanza para chacinar a própria mãe, professores e alunos da escola de Connecticut. A mãe do nerd psicopata era a proprietária dessa (e das pistolas) usadas pelo filho no dia 14 de dezembro. Tratava-se de armamento comprado pela Sra. Lanza da mesma forma que aquelas adquiridas por seus conterrâneos nesses dias pós-massacre (todas pessoas de bem, na definição do meu indigesto vizinho de almoço).

A National Rifle Association (fabuloso lobby da indústria armamentista yankee a favor "dos direitos de possuir armas") sugeriu - diante dos recentes acontecimentos por aquelas bandas -  que guardas armados sejam colocados em cada escola. Ideia bestial! 

Queima suco gástrico!



Conforme esclarece a Reuters, "arma de assalto" é a designação genérica de qualquer arma semiautomática ou automática capaz de efetuar múltiplos tiros rapidamente. Entre 1994 e 2004 algumas dessas armas de assalto e respectivos pentes de munição com mais de 10 balas eram considerados ilegais. Porém, sintomaticamente, tal proibição expirou na época em que George W. Bush estava na Casa Branca.

ET: na página em que achei a foto das "belezinhas aí de cima" (e que faço questão de aqui não indicar) li: "No mundo, existem países que são democráticos de verdade e onde o cidadão pode comprar o melhor instrumento para se defender e não são impostas limitações ingênuas e sem sentido, como a que limita os calibres em 38 ou 380. Nos Estados Unidos, por exemplo, o calibre 380, que no Brasil é a sensação das lojas de armas, é considerado o menor calibre que alguma pessoa pode usar com alguma eficiência, devido ao seu fraquíssimo poder de parada".
Está certo: foi assim que eles, da "maior democracia" começaram se "defendendo" dos índios...

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Os Maias (Essa não é de Queirós)

Sexta-feira, 11 e 35.
Dor nas costas.
Só eu e este teclado.
Minha cachorra ronca no sofá.
Restam-me os Sucrilhos 
(aqueles reservados para a subsistência
pós-fim dos tempos).
E talvez um Diazepan...

.

Voadores


Em 1980, durante a 8ª edição do Festival de Cinema de Gramado (Ditadura a mil) foi exibido o filme Os Sete Gatinhos, dirigido por Neville D'Almeida (com roteiro dele mesmo e de Gilberto Loureiro). Uma adaptação para o cinema da homônima peça teatral de Nelson Rodrigues. Durante a projeção muita gente da plateia se retirou, bradando xingamentos à "pornografia" da obra.
O então Secretário de Esporte, Cultura e Turismo da Estado, Lauro Guimarães, foi um desses, chocado com a lascividade, a imoralidade que assistia ali, no "Palácio dos Festivais". Cobrou, em furiosa entrevista à imprensa, medidas que coibissem aquele tipo de permissividade, aquela afronta à família, aos bons costumes.
Resultado disso foi o sucesso comercial do filme, que conta com um baita elenco: Lima Duarte, Ana Maria Magalhães, Cristina Aché, Regina Casé, Cláudio Corrêa e Castro, Sadi Cabral, Maurício do Valle, Luiz Fernando Guimarães, Sura Berditchevsky, Ary Fontoura, Sônia Dias e Thelma Reston (que ganhou o Kikito de Melhor Atriz Coadjuvante naquele festival).
Thelma morreu ontem, mas por mim sempre será lembrada por essa genial sequência rodriguiana de Os Sete Gatinhos.

E o mundo não se acabou (pelo menos até agora)




Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar
Por causa disto a minha gente lá em casa começou a rezar
Até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada
Por causa disto nesta noite lá no morro não se fez batucada

Acreditei nessa conversa mole
Pensei que o mundo ia se acabar
E fui tratando de me despedir
E sem demora fui tratando de aproveitar

Beijei a boca de quem não devia
Peguei na mão de quem não conhecia
Dancei um samba em traje de maiô
E o tal do mundo não se acabou

Peguei um gajo com quem não me dava
E perdoei a sua ingratidão
E festejando o acontecimento
Gastei com ele mais de quinhentão
Agora soube que o gajo anda
Dizendo coisa que não se passou
Ih, vai ter barulho e vai ter confusão
Porque o mundo não se acabou

Nestes momentos derradeiros que antecedem o final dos tempos, lembrei-me de um velho samba que há muito já tratava do The End. Conhecia-o desde a (tantas vezes referida aqui) era da eletrola Hot Point lá da minha infância/mocidade. O LP não tenho mais, mas, procurando nos meus CDs, achei uma coletânea (ótima, por sinal) do compositor baiano Assis Valente. E o mundo não se acabou foi gravado originalmente em 1938 e fez sucesso especialmente na voz de Carmem Miranda.
Descobri, agorinha, que Assis Valente tinha motivos de sobra para, de fato, desejar que o mundo se acabasse de uma hora para outra: é que, por causa de impagáveis dívidas contraídas, suicidou-se em 1958 (envenenando-se com formicida). Antes, em outras duas oportunidades, nos anos 30 e 40, já havia tentado se matar: na primeira, cortou os pulsos; na segunda, jogou-se do Corcovado.
No paletó do morto a polícia encontrou um bilhete dirigido a Ary Barroso, no qual pedia ao amigo que saldasse dois meses de aluguéis que deixara atrasar junto ao senhorio.
É óbvio que, ao tomar sua "decisão extrema", Assis Valente nem cogitava da existência do tal "Calendário Tim Maia".   

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Escolhas

O deputado Federal Ricardo Tripoli (PSDB/SP) apresentou um projeto de lei que pretende proibir a prática de maus-tratos a animais durante rodeios em todo o território nacional. Por aqui, o presidente da Confederação Brasileira da Tradição Gaúcha já está se movimentando no sentido de fazer com que nossos deputados votem contrariamente à proposta (que, segundo ele, atingiria nossa "cultura").
                                     
A gente ainda morava na Butuí quando, um dia, a Sylvia apareceu com um namorado. Como irmão mais velho, naturalmente não simpatizei com o cara. Um fanfarrão, de família "tradicional" de Jaguarão, que se apresentou com umas fitas VHS debaixo do braço. Sem cerimônia, o gajo já foi colocando uma das fitas no meu velho Philco-Hitachi, fazendo surgir na tevê suas proezas em provas de tiro-de-laço. Lembro-me bem do meu único comentário, já saindo de lado: "Estou torcendo para a vaquilhona!".

Felizmente, o tal namoro não durou mais que uma  semana. Pelo que sei, o chato anda por aí, cantando em castelhano, fantasiado de gauchinho. Deve, de vez em quando, dar uns tombos nuns coitados de uns boizinhos para não perder a prática.

A Sylvia? Casou com o Neneco, que nunca laçou novilho e que se for chamado agora, calça botas e vai salvar uns pinguins lá na Patagônia, uns lobos marinhos na Ilha da Páscoa...

Ponto para a humanidade!


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Chapação

Há uma semana estou fora do ar. Fora do ar mesmo, à base de remédio forte, um tal Diazepan, que me faz dormir umas 20 horas por dia. Descadeirado, suportando insuportável dor na coluna... incapacitado, em suma, para toda e qualquer tarefa, a mais simples que seja. Terça passada, me arrastando, precisei recorrer à Unimed em busca de socorro médico. Resultado: dia inteiro de remédio na veia (incluindo impensáveis três doses de morfina).
Desde então, pilhas de audiências transferidas e, idem, as partidas das finais do futebol de mesa.
Determinação do neurologista: repouso absoluto. Deitado e grogue como boxeador que levou um direto no queixo, mal e porcamente acompanhei a vitória do Corinthians sobre os "ingleses" do Chelsea. Estupefato, vi o goleiro Cássio (refugo do Grêmio) ser escolhido o melhor do torneio!
À meia boca, assisti na tevê a notícia de mais um (anunciado) massacre de lourinhas crianças em escola de uma cidadezinha norteamericana. Observei na telinha, visão turva, a incontida tristeza de Obama, Bonner e Patrícia Poeta (ótimos atores!). A mãe do nerd atirador/suicida (morta por ele) tinha em casa um fuzil Bushmaster .223 e pistolas Glock e Sig Sauer. Todas elas legalizadas. Deviam ser para caçar esquilos.
Mais um Diazepan, please... Às 19 tem tomografia!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Carta do Andrey

Estou em Santigo, Chile. Aqui, em um ônibus voltando para o hotel, um colega mexicano me mostrou em um celular a notícia divulgada via internet. Logo, outro colega, desta vez cubano, me abraçou e disse algo como “Lo vamos a extrañar”. Pela CNN Internacional confirmei o que não queria. A capa do El Mercurio de hoje é a seguinte: “Muere Oscar Niemeyer, el hombre que diseñó Brasilia e hizo de la curva un arte”. Agora vou para o aeroporto. Certamente outras manchetes irão me soquear... Somente à meia-noite chegarei a Brasília. Niemeyer terá passado por lá. Não nos encontraremos. A última vez foi maravilhosa. Ele me perguntou sobre o que os estudantes de arquitetura estavam lendo e se  eu gostava de sua arquitetura... Volto para o Brasil com e certeza de que ele continuará sempre vivo.
Andrey

domingo, 9 de dezembro de 2012

Puro Tom Waits

Fotografia do Alexandre Schlee Gomes

A casa do Oscar (por Chico Buarque de Hollanda)


       A casa do Oscar era o sonho da família. Havia um terreno para os lados da Iguatemi, havia o anteprojeto, presente do próprio, havia a promessa de que um belo dia iríamos morar na casa do Oscar. Cresci cheio de impaciência porque meu pai, embora fosse dono do Museu do Ipiranga, nunca juntava dinheiro para construir a casa do Oscar. Mais tarde, num aperto, em vez de vender o museu com os cacarecos dentro, papai vendeu o terreno da Iguatemi. Desse modo a casa do Oscar, antes de existir, foi demolida. Ou ficou intacta, suspensa no ar, como a casa no beco de Manuel Bandeira. Senti-me traído, tornei-me um rebelde, insultei meu pai, ergui o braço contra minha mãe e saí batendo a porta da nossa casa velha e normanda: só volto para casa quando for a casa do Oscar! Pois bem, internaram-me num ginásio em Cataguases, projeto do Oscar. Vivi seis meses naquele casarão do Oscar, achei pouco, decidi-me a ser Oscar eu mesmo. Regressei a São Paulo, estudei geometria descritiva, passei no vestibular e fui o pior aluno da classe. Mas ao professor de topografia, que me reprovou no exame oral, respondi calado: lá em casa tenho um canudo com a casa do Oscar.

       Depois larguei a arquitetura e virei aprendiz de Tom Jobim. Quando minha música sai boa, penso que parece música do Tom Jobim. Música do Tom, na minha cabeça, é casa do Oscar.

Flor, na Catedral do Oscar, na cidade criada pelo Oscar

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Até que nem tão esotérico assim


Segundo os esotéricos, a aparição de um pássaro dentro da casa da gente pode ter dois significados: se for um pássaro pequeno e preto é mau presságio, um agouro, possivelmente o anúncio de morte de pessoa muito próxima; se, ao contrário, o pássaro for grande e colorido, significa que a casa receberá, em breve, uma visita inesperada, muito agradável.

Ontem, de manhã, pela janela da lavanderia aqui do nosso apartamento, entrou um pica pau, como esse aí da ilustração. Grandão, com bico e garras poderosas. Corpo coberto de penas "sal-e-pimenta" e asas negras, com detalhes brancos. Ah, na cabeça aquele belíssimo topetão vermelho do Woody Woodpecker!

Ficou acuado um pouco atrás de um botijão de gás. Depois, deu uma revoada pela pequena peça, debateu-se contra as paredes e, finalmente, atinou ganhar o céu através da janela aberta. Posou adiante, na chaminé de uma churrasqueira do prédio vizinho, e ficou me olhando.

Que venha a visita (que agora, por conta do pica pau, já não será inesperada).   

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Voltando à vaca fria

Não foi a posse do Joaquim Barbosa na presidência do STF. Também não foi a reaparição do sumido Belchior em Porto Alegre. Nem, tampouco, a possibilidade de finalmente se desvendar como Rubens Paiva foi morto pela Ditadura. Nenhum desses assuntos foi tão comentado nas redes sociais nos últimos dias como a ninfoplastia a que Geisy Arruda se submeteu para correção dos pequenos lábios de sua vagina. Conforme o site Terra, o alvoroço começou quando Geisy tornou pública sua... cirurgia, dizendo, no Twiteer, "não quero que o mundo acabe e eu tendo uma couve-flor no lugar da vagina!”.

Como se vê (via!), os
pequenos lábios da vagina de Geisy
estavam tão grandes que já
causavam constrangimento à moça,
inclusive na hora do banho de mar
Confidenciou ao mundo, a mocinha: “na verdade eu tinha uma relação muito conturbada com a minha vagina. Era algo que me incomodava muito, eu tinha muita vergonha. Sempre foi assim mas eu nunca tinha reparado, então comecei a ver a de amigas e reparar que eu era diferente”, acrescentando, ainda, que seu desconforto era maior ao vestir roupas apertadas e, especialmente, entre quatro paredes. “Na relação o que mais me constrangia era o sexo oral, era algo que eu não deixava fazer em mim, tinha vergonha de que o meu companheiro percebesse esse exagero nos lábios. Isso me atrapalhava muito. Não tinha preliminares, era uma coisa que eu pulava”, recorda.

Aproveitando a nova onda,
Geisy quer lançar no mercado
"lembrancinhas" de sua
véia perchereca
 "Vai bombar", segundo ela. 
Geisy está contente com o resultado da intervenção: “Essa cirurgia trouxe para mim uma libertação. Esteticamente está muito mais bonito, e também posso usar a roupa que eu quiser”, reconhecendo, no entanto, que da parte sexual ainda não pode falar. “Eu brinco que estou na seca esse ano e só vou ‘voltar’ no ano que vem. Brincam comigo que eu tenho que leiloar, pois agora está seminova”, conta.

O apelido “couve-flor” ficou no passado. Geisy está agora "aberta" a sugestões. “Borboleta, flor de laranjeira, botão de rosa”, já foram apresentados, conta.

sábado, 17 de novembro de 2012

Meninos do Brasil

Ira Levin escreveu Os  Meninos do Brasil, livro que em 1978 foi levado às telas com roteiro do próprio autor (e de Heywood Gould), com direção de Franklin J. Schaffner. Lawrence Olivier faz o papel do velho Ezra Lieberman, um judeu caçador de nazistas (claramente inspirado em Simon Wisenthal). Ao longo do filme, Lieberman descobre que a Kameradenwerk (rede de apoio aos oficiais nazistas no pós-guerra) estava pondo em prática um antigo projeto do alto escalão do Partido Nazista, cujo objetivo era realizar a reprodução de Hitler, por meio de experiências realizadas com suas células congeladas e com óvulos de mulheres parecidas com sua mãe. Muito antes de se ouvir falar na ovelha Dolly, a experiência previa não apenas a clonagem de Hitler, mas a doação dos "pequenos Hitlers" a casais dotadas de características próximas às dos do Füher, assim como a reprodução de todo o seu contexto familiar e dos principais acontecimentos que marcaram sua juventude.

Ira Levin, ao escrever esse livro e roteirizá-lo, posteriormente, para o cinema, jamais poderia imaginar que, muitos anos depois, no sul do Brasil, clonezinhos de Adolf Hitler efetivamente apareceriam, dando ares de profecia à sua obra.
A imprensa vem noticiando que dois jovens estudantes de Caxias do Sul, Cibele Bumbel Baginski e João Manganeli Neto, estão à frente de um movimento que busca a "recriação" da ARENA (Aliança Renovadora Nacional), o partido que serviu de sustentação política ao regime ditatorial entre 1966 e 1979.
Pelo estatuto da neo-ARENA, recentemente divulgado por eles, o partido "possui como ideologia o conservadorismo, o nacionalismo e o tecno-progressismo, tendo para todos os efeitos a posição de direita no espectro político" atribuindo a um "conselho ideológico" o poder de deliberar acerca da formação de correntes e tendências internas. Prevê, como ideário, a luta "contra a comunização da sociedade e dos meios de produção" vedando, peremptoriamente, coligações com siglas de orientação comunista ou de "vertentes marxistas".
Propõe a privatização do sistema penitenciário, a abolição de qualquer sistema de cotas, a aprovação da maioridade penal aos 16 anos, o retorno das disciplinas de moral e cívica e latim ao currículo escolar, a retomada do controle de estatais fundamentais à proteção da nação e o reaparelhamento das forças armadas.
A criação de grupos de extermínio fica para uma segunda etapa.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Branqueou o olho da gateada


Para branquear a coisinha à toa,
banho de assento com Q-Bôa!
A perchereca fica clarinha, sim.
O problema é a dor nos rim!


Em um domingo desses a Zero Hora brindou-nos com interessantíssima matéria cujo título é "Vaidade íntima", tratando do importante fenômeno que assola a... Tailândia.

Lá, conta o texto, as mulheres optaram pela prática do clareamento vaginal, através do uso de um novo produto que promete deixar as partes íntimas “mais claras em quatro semanas”.

Na Tailândia, aprende-se, "a pela clara é associada à oportunidade, sucesso e status", razão pela qual "produtos que prometem despigmentar o rosto, corpo e axilas já estão disponíveis em todo o país, como pílulas de branqueamento de pele e suplementos dietéticos para atingir as áreas que os cosméticos deixam de fora", porém "é a primeira vez que os procedimentos para as partes íntimas atingem o mercado tailandês".

Executivos do ramo dos cosméticos dizem que "a novidade foi recebida com grande sucesso", pois na Tailândia, como em outros países do sudeste da Ásia, "a pele mais clara tem sido equiparada à classe mais elevada, uma vez que descreve uma vida não desperdiçada labutando em arrozais sob o sol".

Tal "tendência", que promete "manter as partes íntimas frescas e jovens por mais tempo" vem, contudo, sendo "associada a vários riscos de saúde devido à quantidade de ingredientes como o mercúrio em alguns produtos, que podem levar à descoloração permanente da pele ou danos nos rins".

O discreto charme da burguesia


O Diário Popular de hoje traz, no caderno Zoom, a seguinte "crônica social" assinada por Flávio Mansur:


"A liderança, a dedicação e o prestígio de Maria Rita Sampaio foram ingredientes fundamentais para coroar a comemoração do último sábado, quando a Associação dos Amigos do Museu da Baronesa promoveu noite black-tie para celebrar os 200 Anos da Princesa do Sul, num baile que reuniu toda Pelotas importante e nomes de peso da sociedade gaúcha, paulista e carioca, no centenário salão nobre da Bibliotheca Pública Pelotense.

Iluminação cênica para valorizar a bela arquitetura do palacete, candelabros em prata, arranjos em astromélias, momento artístico com Rafaela Wrege e Liziani Rotta, duas bandas para animar às danças, mesa de antepastos, cocktail e prato quente do buffet de Irene Vianna e mesa de doces de Ana Menna Barreto e Mauren Behrensdorf.

O prefeito Adolfo Fetter Júnior e o eleito Eduardo Leite fizeram uma rápida saudação, e juntamente com Leila Fetter e a vice prefeita eleita Paula Mascarenhas, abriram a valsa comemorativa pelo bicentenário.

A anfitriã, Maria Rita Sampaio, com seu porte privilegiado, estava muito bonita e chique num longo em tafetá rubi. A figura feminina mais luxuosa era seguramente a grande dama da sociedade porto-alegrense, Adulce Zaffari, que além de ser uma mulher muito bonita, estava simplesmente elegantíssima num longo em renda francesa, com transparência nas mangas e no corpo, da estilista Marthinha Fitchnner e complementando com joias espetaculares em pérolas e diamantes. Ainda na relação de elegantes da noite destaque para Dulce Issler Ferreira, em azul royal, Patrícia Penteado, em verde esmeralda e Márcia Wrege Karam, em beringela, da griffe Marlene Brandão, by Via Condotti, Anna Luiza Quinto di Cameli (num preto com joias de família em brilhantes), a beleza de Carmen Cecília Riemke, Maria da Graça Coelho (sempre bonita e atraente), Nina Kessler (em dourado, de Rui Spohr), Mirna Yepsen (em renda preto e branco), Idília Leonardo, Ana Menezes, Elaine Corvello formaram um trio charmoso usando modelos da Ônix, Suzana Salim e Adriane Metidieri, ambas de Marlene Brandão, eram também figuras notadíssimas."


No petit comité foram notadas as ausências de Dona Teresa e de Dona Silvia, aquelas duas senhoras negras que durante a recente campanha eleitoral pareciam tão íntimas do (então) candidato Eduardo Leite. A elas, lembro, Dudu prometeu acabar com o fedor que reina no local onde moram, a Vila Farroupilha. Parece, no entanto, que ao futuro prefeito o fedor da burguesia - aquele cantado pelo Cazuza -  não incomoda.

Vomitei!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O significado da vitória de Obama (por Juremir Machado da Silva*)

Os americanos não brincam com coisas sérias.

Para eles, ideologia é artigo de primeira classe.

Por lá, ninguém diz asneiras do tipo “as ideologias acabaram”. Direita e esquerda são palavras corriqueiras, descritivas e incontornáveis. Os republicanos representam a direita. Os democratas, a esquerda, ainda que uma esquerda moderada.

Com americano não tem conversa fiada, enrolação e dissimulação… É ferro na boneca. Romney teve os votos de 60% dos brancos. Obama ganhou com votos de latinos, homossexuais, negros e outros grupos discriminados. Esses são os critérios de divisão da sociedade. Não tem discurso universalista fake capaz de esconder essa fratura social. É na lata. Na bucha.

No Brasil, essa divisão se repete com algumas adaptações. A direita é contra aborto, casamento gay, cotas, etc. Essas bandeiras eram do PP e do DEM, filhotes da ARENA, netos da UDN. Algumas delas passaram a ser do PSDB, que, nascido de centro-esquerdo, guinou, em certos temas, para a direita e até para extrema-direita, tornando o partido dos lacerdinhas, a UDN com gel no cabelo e muito ódio no coração, um partido que se crê à frente por se posicionar atrás do seu tempo.

Nem todo tucano, contudo, é reacionário. Cada partido tem um mote, uma maneira de se ver: o PSDB se vê como o partido da racionalidade e da modernidade. Era um gancho sensacional. Aos poucos, em busca de foco e de nicho eleitoral, tornou-se o “tea party” tropical, uma espécie de sucursal do ultraconservadorismo republicano, uma exacerbação ideológica do udenismo.

O PT se vê como o partido dos engajamentos sociais. Mas perdeu em republicanismo com o mensalão. O PMDB já não se olha no espelho. O PDT flutua sem saber para onde quer ir. O DEM é um fantasma em busca da reencarnação.

A eleição americana mostrou um embate entre o velho e o novo.

Pela primeira vez, um candidato não teve medo de perder votos conservadores e defendeu o casamento gay.

No Brasil, os marqueteiros mandam os candidatos esconderem posicionamentos polêmicos. O que pode ser novo é jogado para baixo do tapete. O diferencial é apagado, raspado, eliminado. Todo marqueteiro tem alma de conservador.

Neste blog, com pseudônimos ou não, há representantes do tea party. Todos os dias, incansavelmente, repetem os mesmos insultos, o mesmo discurso rastaquera, o mesmo besteirol ressentido e babando raiva ideológica, quase fascista, certas vezes, sempre simplista, pessoal, dicotômico, maniqueísta, um time melancólico de espíritos mesquinhos e obcecados.

Eu os projeto não os publicando para que não sejam expostos ao ridículo ou para evitar calúnias e difamações.

Vez ou outra, deixo passar algo em nome do humor.

São engraçados, virulentos, dignos de pena.

Defendem um mundo em decadência ou a decadência como mundo.

Usam uma retórica macartista, achando que sou petista, comunista ou marxista, esses rótulos do século XX, por não compartilhar seus pontos de vista anacrônicos e feios. É aquele tipo de gente que dissemina falsas notícias na internet: Forbes diz que Lula é bilionário, Dilma ficou com o cofre do Ademar para ela, essas lorotas de mentes atormentadas e tristes.

É o pessoal que odeia Cuba, não tanto pela ditadura, mas por ter tentado criar igualdade.

É aquele pessoal que quer cidadãos armados, prisões transbordando, um policial a cada 50 metros, mulheres pobres esterilizadas, jovens de classes desfavorecidas formados só em cursos técnicos, universidades para elites, ajuda estatal exclusivamente para produtores, banqueiros e ruralistas. É a turma que, apesar das nossas prisões abarrotadas, garante que há impunidade no Brasil, embora cometa todas as infrações de trânsito possíveis, faça seus contrabandos e tente sonegar um dinheirinho no imposto de renda.         

Eu os perdoo. Mas como são chatos, repetitivos, doentios, cansativos.

Que malas!

*Texto postado pelo autor em http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado

Autógrafo


Li ontem, no Diário Popular, que no final da tarde o jornalista carioca Mário Magalhães estaria autografando seu livro "Marighella - o Guerrilheiro que Incendiou o Mundo". Interessado pelo livro, fui lá na banca da Vanguarda e comprei o grosso volume (mais de 700 páginas), editado pela Companhia das Letras. Depois, por insistência da Fernanda, acabei indo pedir autógrafo ao autor (só porque ele estava praticamente sozinho, enquanto ao lado, uma longa fila aguardava que o Nauro autografasse o seu "Náufrago de um Mar Doce"). Ao ver meu nome escrito naquela tradicional tirinha "evita constrangimento", perguntou-me: "Schlee? O que você é do Alexandre?" Que surpresa, o escritor conhecia meu primo Alexandre, de quem - na juventude - foi colega de aula no Assis Brasil! E se lembrava dos meus outros primos, irmãos do Alexandre. Contou-me que, durante o tempo que morou nesta cidade, morava perto da Cohabpel e que, embora Flamenguista (contradição das contradições!), torce também pelo Pelotas. 


Através do Ombusman Folha apurei que ele nasceu no Rio de Janeiro em abril de 1964. Formou-se em jornalismo na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO/UFRJ). É jornalista desde 1986. Trabalhou na "Tribuna da Imprensa", em "O Globo" e "O Estado de S. Paulo" antes de ingressar na "Folha de São Paulo", em 1991. Na Folha, foi editor-assistente do "Folhateen", repórter, editor-assistente e colunista de Esportes, repórter da Sucursal do Rio e repórter especial. Deixou o jornal em 2003 para escrever a biografia do guerrilheiro Carlos Marighella (1911-69), livro lançado pela Companhia das Letras. Voltou em 2006 como repórter especial, baseado no Rio. Entre prêmios e menções honrosas, recebeu duas vezes o Prêmio Folha de Reportagem, duas vezes o Prêmio da Sociedade Interamericana de Imprensa, o Grande Prêmio Esso de Jornalismo, o Prêmio Lorenzo Natali (da União Européia), o Prêmio Vladimir Herzog, a Medalha Chico Mendes de Direitos Humanos e o Prêmio Direitos Humanos-RS. É co-autor, com o fotógrafo Antônio Gaudério, do livro de reportagens "Viagem ao País do Futebol" (DBA-1998) e autor do livro-reportagem "O Narcotráfico" (Publifolha-2000).

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

USA

Obama, vai para Ohio que te parta! 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Leilão

O japonês identificado como Natsu, que arrematou a virgindade da brasileira Ingrid Migliorini, a Catarina, tem 53 anos e vive em Tóquio. A informação foi confirmada pelo diretor do documentário Virgins Wanted, o australiano Justin Sisely, que promoveu o leilão encerrado na semana passada. "Ele (Natsu) tem uma quantidade enorme de dinheiro e não quer ser descoberto", comentou Sisely.

Natsu vai viajar à Austrália para ter relações sexuais com Catarina, porque ele não gostaria de ter uma equipe de filmagens acompanhando sua rotina diária, em sua terra natal. "É compreensível", avaliou Sisely. Mas o diretor do documentário pretende gravar imagens e entrevistas dos parceiros e dos virgens - além de Catarina, a primeira vez do russo Alexander Stepanov foi leiloada -, antes e depois da primeira vez, mesmo que seja preciso esconder os rostos dos compradores.

A intenção de Sisely é promover um jantar para que os parceiros possam se conhecer e conversar, antes do ato sexual.

Natsu, preservando sua verdadeira identidade
(e fazendo propaganda enganosa a respeito do seu "Robô Gigante").
Falando a respeito, Natsu - malandrinho que é - já adiantou à imprensa sua estratégia para quebrar o gelo com a inexperiente Catarina: durante o jantar, pedirá a ela que enfie a mão no bolso de sua calça, fazendo com que a moça apalpe aquela coisica. Daí, empolgado, o jocoso milionário esclarecerá: "É um drops! E tá melado!".

Esses japas são uns pândegos!

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Mariquinha

Furacão Sandy ameaça arrasar
a costa leste dos Estados Unidos.
Se estivesse acompanhado do furacão Junior,
os americanos iriam experimentar
o que é bom para a tosse!

domingo, 28 de outubro de 2012

Magia para emagrecer (de Chico Xavier)

"Na manhã de quarta-feira, coloque em meio copo de água o número de grãos correspondentes aos quilos que deseja emagrecer. Não ponha grãos a mais, pois os quilos perdidos não serão recuperados. À noite beba a água, deixando os grãos. Complete o copo com água até a metade. Na quinta-feira, em jejum, beba a água, deixando o arroz e encha novamente, metade do copo com água. Na sexta, em jejum, beba a água com os grãos junto. Depois mande publicar a simpatia."

Esta simpatia (atribuída a Chico Xavier) foi mandada publicar no Diário Popular de sexta-feira por algum admirador do mineirinho recentemente escolhido como o "maior brasileiro de todos os tempos" em programa do canal do Silvio Santos. Consta que o próprio CX (que poucos sabem, era gorducho na infância e adolescência) fez uso da própria magia, tornando-se rapidamente aquele pauzinho-de-virar-tripa. Ele perdeu tanto peso que, certa feita, seus fieis seguidores chegaram a comentar à boca pequena: "o mestre está tão desencarnado!". No mais, os únicos efeitos colaterais da beberagem orizícola é o afrouxamento da dentadura e o embaralhamento da grafia (que se torna garranchosa, permitindo, todavia, a leitura que se quiser dar a ela).  

No cabelo só Gumex

      Vivemos novos tempos neste Brasil grande sem porteiras!
     Ao vivo e a cores o Judiciário vem dando a resposta que o povo, em geral (e a Veja, em particular) clamavam. Enquanto o STF está em vias de encerrar o julgamento do Mensalão, fixando penas de décadas a condenados como Marcos Valério, Zé Dirceu e Genoíno, a Justiça Baiana não ficou atrás, impondo pena de 30 anos de reclusão ao Coronel Jesuíno Mendonça. Não adiantou Lula e Coronel Ramiro Bastos espernearem.


     O Eduardo Azeredo está com as barbas (e com o bico) de molho!

Uma questão de prevenção (por Beto Grill*)

   Sustos. Eles não me faltaram neste mais de meio século de existência intensa e 32 anos de exercício da medicina. Nas diversas e radicais atividades esportivas ou na relativa inconsequência das festas da juventude e nos plantões de urgência nos ambulatórios de cidades do interior do Estado, foram muitos os momentos de apreensão e sobressaltos. Na noite do dia 17, mais sustos. Dois jogadores sofreram batidas na cabeça. Confesso que, neste momento, por força de repetidos e dramáticos incidentes e por ter conhecimento do nível de agressão ao cérebro que pode advir desse tipo de ocorrência, muito me abalam os traumatismos cranianos no futebol.
    As manifestações tendem a ser momentâneas, mas, pelo fato de o choque ocorrer sem previsão e natural defesa, os danos podem ser permanentes, de natureza cognitiva ou motora. No futebol, o impacto ocorre em pleno processo de aceleração dos indivíduos envolvidos, com forças agindo em sentidos contrários, o que potencializa a violência da colisão.
    A angústia vem de longe. Relembro da lesão de Zé Rios, da Desportiva do Espírito Santo, no Beira-Rio, em 1979. O capixaba sofreu uma pancada na cabeça, foi hospitalizado e acabou amparado por Valdomiro, ex-atleta do Internacional, e sua esposa. Tempos depois, o dramático acidente de trabalho com Benitez, goleiro colorado e da seleção paraguaia. Foi uma comoção no Rio Grande. Embora sobrevivendo ao TCE (traumatismo cranioencefálico), ambos jamais voltaram aos gramados.
   Desde então, quantas cabeçadas. Quantas carreiras promissoras interrompidas. Não possuo estatísticas, mas estou certo de que os choques no crânio e na face têm aumentado consideravelmente nos últimos anos e com graves implicações para a vida de numerosos jovens atletas, que permanecem com sequelas para sempre.
   Urgem providências enérgicas. Considero, inclusive, propor uma mudança na regra do futebol, com a proibição de disputas de bola com a cabeça. Por que não?
    Defendo, pelo menos, a instituição de protetores do tipo que usa o goleiro Peter Cech, do Chelsea FC da Inglaterra. Ele, após sofrer um TCE, voltou à profissão, mas usando um capacete especial, que seguramente diminui sobremaneira os impactos no cérebro e minimiza as consequências neurológicas dos choques.
    Como em toda atividade laboral de risco, o futebol deveria ter, por lei, a obrigatoriedade da utilização desse EPI (equipamento de proteção individual), além de outros, como caneleiras, já em uso, e protetores bucais. Pode parecer estranho, incômodo, mas é indispensável, estou convicto. Outros esportes de contato físico já o adotaram.
   O Sindicato dos Atletas, por um lado, os clubes e a CBF, por outro, por interesses convergentes e na defesa da saúde e da vida desses artistas, nossos ídolos, que tantas emoções nos despertam, deveriam fomentar este debate e pressionar a Fifa para estabelecer modificações, de forma que traumas como o que sofreram Rafael Marques e Bernard do Atlético Mineiro no jogo de quarta-feira, contra o Santos, não passassem de mais um susto para os milhares de torcedores presentes na Vila Belmiro e, aos que, como eu, assistiam pela televisão.

  *Beto Grill é Vice-governador do Estado e médico ortopedista. Esse texto, de autoria dele,  foi publicado na Zero Hora de domingo passado).
 Sério! Juro! É verdade! Não é sacanagem!
   Anteriormente, quando era deputado, o Beto já havia proposto que, pelo menos nos desenhos animados veiculados em todo o território gaúcho, os personagens - especialmente os vilões, que também são filhos de Deus - passassem a ser obrigados a utilizar equipamentos de proteção individual (incluindo capacetes, item no qual o político cristalense é fissurado), a fim de evitar-se graves traumatismos ao serem atingidos por trens desgovernados, pianos despencados de mudanças ou bigornas voadoras.
     Urgem providências enérgicas!

sábado, 20 de outubro de 2012

DPPA

Findo seu plantão, o Inspetor despediu-se do Delegado:
- Qualquer coisa, prende o grito!

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Santinhos

O carnaval, antigamente, era no centro da cidade. Os desfiles aconteciam nos paralelepípedos da Rua XV e as famílias acompanhavam tudo nas cadeiras e bancos colocados ao longos das calçadas. Valia lança-perfumes, confetes e serpentinas. Valia, também, nas banquinhas colocadas à volta da praça, cachaça, cerveja, churrasquinho, pastel, melancia e mijo. Muito mijo.

O futebol, antigamente, era jogado nos três campos da cidade. No Bento Freitas, pelo menos, os torcedores precisavam chegar cedo para conseguir um bom lugar, não importando ter que aguardar o início do jogo durante horas sob o calor abrasador ou o frio congelante das arquibancadas de cimento áspero. Como quase sempre havia muito público, acabava-se, via de regra, assistindo aos jogos de pé. O consumo de bebida alcoólica, vendida em improvisadas "copas", era liberado. As "necessidades" dos torcedores eram feitas nas fétidas entranhas das gerais, com a possibilidade do mijo coletivo ser acondicionado em sacos plásticos para ser lançado sobre as cabeças dos incautos. Valia jogar o que se bem entendesse no juiz ladrão e, especialmente, nos seus coadjuvantes bandeirinhas. Valia, também, pressão psicológica verbal, como cantorias do tipo "uh, vai morrê!; uh, vai morrê!" ou "ô bandeirinha, ô bandeirinha, teu pai é corno e tua mãe é uma galinha".

As eleições, antigamente (mas não muito), contavam com candidatos que empolgavam, que faziam comícios inesquecíveis, abarrotados de correligionários e simpatizantes. Os debates eram inesquecíveis. Os partidos tinham evidentes diferenças ideológicas. A cidade ficava pintada para as eleições e seguia marcada pelas eleições. No dia da votação valia "boca de urna" e milhares de "santinhos" cobriam as cercanias das mesas eleitorais. 

Hoje o carnaval foi parar em um local escondido, cercado por tapumes e telas. Foi enxotado para um gueto, onde só vai quem participa das entidades inscritas nos concursos (inclusive burlescos!) e só assiste aos regrados desfiles quem paga ingresso. Não sei se mijar é permitido ao público e aos foliões. Melancia não pode! 

Hoje não se bebe no futebol, reclama-se do desconforto dos nossos vazios "estádios" e se torce sentado. O clube perde mando de campo se alguém jogar um radinho para as "quatro linhas". Prendem o torcedor que for pego "portando" um foguete.

Hoje as eleições são marcadas por candidatos insossos, que seguem scripts parecidos, preparados por marqueteiros contratados a peso de ouro. As campanhas parecem-se muito umas com as outras. Os candidatos também, inclusive ideologicamente (se alguma ideologia ainda há). A propaganda política é super restringida pela legislação eleitoral.


Sobraram os "santinhos", como nostalgia de outros tempos. Mas, pelo jeito, eles também estão com os dias contados.

A onda do "politicamente correto" escolheu esses ícones da democracia (porque de confecção barata, acessível financeiramente ao mais miserável dos candidatos a vereador) como bola da vez nesta última eleição. "Sujam a cidade", dizem. "Entopem os boeiros", afirmam. Diversos desenhistas, no dia seguinte à recente eleição municipal, publicaram nos jornais charges com o mesmo mote: a sujeirama das cidades, causada pelos "santinhos" dos candidatos porcalhões. O assunto rendeu até editorial da Zero Hora, claro.

Que chatice! Estamos no Brasil. Por isso precisamos comemorar carnaval, futebol e eleição. Os três, por razões óbvias, têm que ser tratados, sempre, como grandes festas de participação popular. Sabemos bem -  pela própria experiência - a falta que qualquer deles nos faz, não é?

Obrigado!

Em época de eleição, considerando que nos debates que antecederam o primeiro turno mais se falou na vizinha cidade e no seu famigerado polo naval...

remember, candidato:
o maior legado
de Rio Grande para Pelotas,
foi o Abel Dourado!

domingo, 30 de setembro de 2012

O Vaz

Hoje achei esta caricatura do Vaz em cima da mesa de trabalho do pai,
lá na casa dele, no Capão do Leão.
Não resisti, conseguindo uma cópia para publicar aqui no BF.
Homenagem do Schlee ao fiel escudeiro.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Filosofia (por Alexandre Prezzi*)

"O negócio é levar a vida igual
a cavalo em 20 de setembro:
cagando, andando e sendo aplaudido!!!" 


*Filósofo polenteiro, jogador de botão e torcedor do Caxias

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Mario


Morreu o Mario. O Mario era de casa. Frequentava nossa casa desde muito cedo, desde que foi aluno do pai. Foi lá que um dia levou a namorada: a Lia Mara. Recitou, rindo daquele jeito dele, um poema que fez para ela. Ficaram juntos até hoje. O poema deve ter sido decisivo para isso! Sempre admirei o jeito que o Mario e a Lia Mara andavam pela rua, do jeito que chegavam e se iam lá de casa. Devagar, sem pressa, ele com um dos braços por cima dos ombros dela. Que pena, agora, a Lia ter que andar sem o carinho e a proteção do Mario. Que, agora, não se ter mais o Mario.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Over the rainbow

Diário Popular de ontem
Depois de trilhar o caminho dos tijolos amarelos, o candidato apresentou-se à 'comunidade':
"Meu nome é Matteo Chiarelli,
mas podem me chamar de Dorothy."

11 de setembro


Chile: 11 de setembro de 1973 (por Raul Ellwanger*)

    Nos anos 60 e 70, o Chile foi abrigo para os brasileiros exilados durante o regime militar do Brasil. Iniciada em 1964, a diáspora aumentou depois do Ato 5, de dezembro de 1968. Foram acolhidos com todo carinho, com ajuda pessoal e material, conforto físico e espiritual. Receberam moradia, estudo, trabalho, apoio psicológico, solidariedade política, documentação legalizada, assistência médica, acesso ao esporte e tudo o que faz da vida uma jornada normal de ser vivida. Para quem vinha de um país brutalizado, sem legalidade, sem direitos, sem garantias, foi maravilhoso. Para muitos, foi salvação. Para outros, ressurreição. Para outros, descoberta.

      Muitas vidas brasileiras foram salvas pelo Chile, que era uma ilha democrática cercada de ditaduras. Muitas pessoas renasceram e se reconstruíram, nas escolas, fábricas, templos, campos e escritórios do Chile. Carreiras profissionais, técnicas, científicas e artísticas puderam resistir graças ao Chile. Muitos dos que hoje dirigem nosso país em todas as suas áreas, só o fazem porque o Chile os recebeu, protegeu e reconstruiu. Aquele Chile solidário de ontem é parte do Brasil democrático de hoje.
    De figuras conhecidas, como os presidentes da UNE Luis Travassos e José Serra, o poeta Tiago de Mello, o professor Ernani Fiori, o educador Paulo Freire, a socióloga Evelin Pape, o jornalista Tom Thimoteo até estudantes e trabalhadores pouco notórios, todos e cada um encontrou apoio no país andino.
      O sangue do Brasil ficou também por lá. O poeta Nilton Rosa da Silva, de Cachoeira do Sul, foi um jovem estudante que vivenciou a experiência democrática da Unidade Popular. Alegre, brincalhão, solidário, desapegado, namorador, cantor, voluntário social, este moço "brancaleone" era exemplo da alegria transformadora que iluminava o Chile e os milhares de asilados recebidos pelo governo de Salvador Allende. Engajado nos movimentos populares, em 15 de junho de 1973 foi abatido por uma bala em plena Alameda Central de Santiago, à luz do dia, durante uma manifestação de defesa da legalidade. Mais de 100 mil pessoas assistiram ao seu sepultamento, que se constituiu num ato político internacionalista histórico. Amigos, poetas e ativistas no Chile e no Brasil seguem cultuando seu nome, memória, exemplo e sacrifício, como prenda de um passado nobre e solidário e de um futuro justo e democrático.


Raul é conhecido e reconhecido músico e compositor gaúcho. Este texto, de sua autoria, foi publicado hoje na Zero Hora.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Nosso craque

     Oscar Emygdio Garcia, o Oscarzinho, foi goleiro do Cruzeiro de Jaguarão na primeira metade do século passado. Era da época em que goleiro jogava com pulover de lã, boina e joelheiras, mas sem luvas. Irmão mais novo da minha avó Maria, tio do meu pai, era meu tio-avô. Como sempre foi chamado de Tato pelo meu pai, para mim, meus irmãos e primos, virou, naturalmente, o Tio Tato. Segundo a lenda familiar (e jaguarense), jogava muito bem: era ágil e destemido. Consta que quase foi parar no Grêmio (isso eu não tenho certeza se de fato ouvi contarem quando criança ou se somente faz parte do meu imaginário).
    Além disso (e de ser ótimo nadador), Tio Tato foi o maior contador de histórias que conheci. Tinha uma facilidade impressionante para narrar fatos. Fazia-o com uma riqueza tal de detalhes que a gente se sentia, nessas ocasiões, como se estisse vendo um filme (e em 3D, com Sensurround!!!). Daí porque evidente a influência que teve na literatura de meu pai, que se criou ouvindo (e, de certo modo, "vendo") os causos e epopéias contados pelo tio. Interessante que, ao contrário do velho Schlee, o Tato sempre teve horror aos castelhanos, seus eternos rivais nos carecas campos de futebol do lado de cá e do lado de lá do Rio Jaguarão.

     Tive em mãos ontem, pela primeira vez, essa "figurinha" do Tato que ilustra a postagem, desenhada em um cartão grosso pelo pai há quase 70 anos (sendo, portanto, anterior ao famoso desenho do Carlyle envergando o uniforme "canarinho"). Estava, esses anos todos, guardada entre os documentos da vó.
    
     Como o próprio Tato, trata-se de uma relíquia familiar.