segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Manchete do DP

Ontem, na praia do Laranjal, do nada surgiu um
jacaré do papo-cabeça.
Depois de disssertar alguns minutos sobre Heiddeger
e sua tentativa de encontrar nos gregos a substância
que de alguma forma amparasse o homem contemporâneo num mundo desesperançado de Deus, 
 a presença do anfíbio fez com que os fãs do som de Mumuzinho debandassem geral. 

"Olha o Pêndulo de Foucault aí, gente!"


domingo, 29 de dezembro de 2013

Vacaciones

Estava ainda no primário e finalmente entrara em férias. Para comemorar, desenhei numa folha inteira do meu grossão "caderno diário" um gato deitado preguiçosamente em uma rede esticada entre dois coqueiros. No detalhe caprichado, o exultante felino exibia um copo, adornado com uma pequena sombrinha, contendo alguma bebida geladérrima. Sob a figura, escrevi: "FÉRIAS PARA O GATO!"

Tentei reproduzir o tal desenho quando contei essa historinha para a Flor. Que dificuldade! Não consigo mais desenhar - e eu juro que desenhava direitinho há quarenta anos! Saiu isso aí - uma merda, mas, de qualquer forma, melhor que aquilo que se vê todo dia assinado pelo Marco Aurélio na ZH:
 

Até hoje não sei bem por que minha mãe ficou furiosa comigo por causa daquelel desenho. Mas ficou, achou uma barbaridade, um desperdício de material escolar, sei lá... Por causa disso, sempre que inicio novo período de férias, ano após ano, aviso para ela, fazendo uso do mesmo bordão que aprendi em um anúncio da época, do Ri do Rato (venenão ainda hoje disponível nas boas casas do ramo, que garantia sombra e água fresca aos gatos em geral).
Outros tempos. De Flit e Detefon. E de Sheltox ("é o melhor inseticida/mata moscas e baratas/todo inseto sabe disso/e se não sabe é um suicida"). E da Terra de Marlboro, de Hollywood ("o sucesso!") e de Tatuzinho ("é veludo no gogó!", "ai tatu, Tatuzinho/me abre a garrava/me dá um pouquinho"). Veneno para ratos, inseticidas, cigarros e cachaça. Não existia o politicamente correto. Mas a falta de seriedade com o "material de estudo" rendia pito.



segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Feliz Natal


Nota de rodapé: evito reproduzir no BF coisas que já se encontram na Internet. Mas desde o ano passado "guardei" esse genial presépio (cuja autoria é para mim desconhecida) que circula no meio virtual. Maravilha! (como aquela outra do Mussum relativa ao ano novo).

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

PORRA! (por Ângelo Alfonsin*)

a realidade
não sai na urina
é uma droga de qualidade
duvidosa
uma bad trip
faz mal às tripas
expulsa os tripanossomas
e outra tribos
a realidade é um tribufu
bufa todo dia no cangote
ameaçando da glote ao glúteo
na busca da grana
come-se grama pela raíz
granada que decepa a libido
transformando todos em um híbrido
da tecnologia
metade de nada com medo de tudo
arremedo de gente arremessada
contra os muros do ódio
vida é um negócio
que entrega-se à vista
a vida
realidade não é para cagão
só para quem leva o vermelho
cartão
vive-se em regime semiaberto
sair sem saber se o estado
das coisas irá permitir voltar
ao ponto de partida
cuidado onde pisa
a realidade é uma mina
daquelas chave de cadeia
cadela com uma explosão
entre as pernas
um passo em falso
e
somos tragados pela descarga
que puxada
provoca a mais bela das quedas
de água
formadora de um rio que leva
de volta ao paraíso
da puta que nos pariu


*publicada no irresistivelmente inútil (http://aalfonsin.blogspot.com.br/)

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Gênesis (por Fraga*)


Sica
E vendo que estava a Terra sujeita à sujeira, Ele criou Clorox, que gerou Rodox, que gerou Lux e Ajax, que gerou Polwax e Helix, que gerou Klinnex e Gumex, que gerou Tampax e Jontex, que não geraram ninguém. E essas gerações começaram a povoar lugares e a diminuir imundícies sobre a face da Terra.

E se espalharam por vales de moléstias e planícies manchadas até surgir o clã Dupont, que gerou Detefon, que gerou Tugon e Baygon, e este gerou Avon e Revlon, que gerou Koleston e Wellaton, que geraram Teflon, que nasceu estéril. E por onde passaram os filhos e os filhos de seus filhos, a superfície não era tão repugnante, e o fedor cheirava a novo.

E para prover o asseio iniciado veio Vasenol, que gerou Varsol, Rodasol e Castrol, que gerou Odol e Limpol, que gerou Ariel, que gerou L´oreal, que gerou clones. Da montanha ao campo, Ele viu que tudo tinha outra cor e olor.

E na pressa em ver a assepsia do Seu reino, Ele aceitou Gasolina, que gerou Querosene e Naftalina, que gerou Havoline e Valvoline, que geraram Creolina e Clorofina, que gerou Listerine e Dentyne, que geraram bate-bocas.

Eis que a rapidez clareava quase tudo, mas nem tudo era agradável como antes.

E outras gerações frutificaram e se multiplicaram, e assim chegou Flit, que gerou Loctite, que gerou os gêmeos Brasso e Silvo, que se uniram a Lever, que gerou Veja, Vim e Minerva, que geraram fortunas. E viu Ele que os lodos e as nódoas milenares ainda contaminavam as áreas habitadas, embora agora alvejadas.

E para acabar com as porcarias e o mau cheiro, Ele recebeu Neocid, que gerou a Tide e Odd, que gerou Raid e Glade, que tentaram purificar o ar empesteado. E dessa vez Ele nem desceu para aspirar a faxina.

E a faina ganhou o poder de Rinso, que deixou Modess porque era infértil, e com Qboa gerou Palmolive e Lifebuoy, que gerou Lisoform, que gerou Gillette, que se juntou a Omo e adotaram Ace e Axe, e Nívea que foi morar com Rexona e adotaram Dove e Autan. E como as bactérias também resplandeciam de felicidade, Ele espumou como os rios.

E por fim foi igual na vez de Colgate, que gerou Crest, que gerou Closeup, que gerou Harpic, que gerou Comfort, que gerou Fofo, que só gerou rinite. Até hoje Ele funga.

E ao ver que higiene se tornou praga entre as pragas, Ele cogita: talvez a saída seja deter gente.

*Publicado originalmente no jornal Extra Classe (nº 180/dezembro de 2014)

domingo, 8 de dezembro de 2013

Natalinando

No seio da família dos perus
o centro da mesa está enfeitado
c/ esmero. O prato principal
é um bebê humano gordinho c/ uma
maçã na boca, batatas doré e farofa.
O caçula da família dos perus desatou
a chorar qdo viu o amiguinho virar
banquete d Natal. Bebê e peruzinho
bricavam juntos no quintal.
Ô dó.

Do livro Storynhas, da Rita Lee. Comprem já, deem de presente de Natal. É ótimo! Comprei o meu meio por acaso, atraído pela capa (e das bárbaras ilustrações internas) do(a) Laerte. Ainda na livraria li para a Flor, minha filha adolescente, esta storynha aí de cima (releitura de clássica cena do filme Assim Caminha a Humanidade) e ela me disse: "parece aquelas bobagens que tu botas no teu blog!". Tuchê, Flor! Viva eu, viva tu e viva o rabo da Tia Rita (aquele mesmo, magricelo, que mostrou para a polícia que queria, durante um show dela, levar em cana o pessoal da plateia que fumava maconha).

sábado, 7 de dezembro de 2013