segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Carlos Drummond de Andrade

Na cidade de Itabira-MG,
há exatos 109 anos, nasceu o poeta

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Brindemos...

sábado, 29 de outubro de 2011

Sobre mulheres e bolachas (por Pedro Jaime Bittencourt Jr)*

       Outubro é o mês de aniversário da minha mulher. Ela está ficando mais velha, e mais bonita! É o que eu acho, como admirador da beleza que ela me transmite a cada dia. Eu gosto de admirar a beleza de mulheres mais velhas, como é a beleza da minha mulher, que está ficando mais velha, e mais bonita.
       Eu sei que os homens, aliás, a maioria das pessoas, costuma vincular a beleza à juventude. Existe até uma expressão que se costuma usar, uma expressão debochada, criativa, onde se diz que "não existe mulher bonita, o que existe é mulher nova!"
       Eu acho a frase até bem bolada, "sutil", engraçadinha, mas não concordo muito com ela não.
      Como assim - "mulher nova"??? Nova, que eu saiba, tem que ser bolacha, ou empada, ou picanha, essas coisas. A gente passa pela padaria e já vai perguntando: - A bolacha é nova? A empada é de hoje? Ou então vai até o açougue e diz: - Me vê uma picanha, mas nova, hein, porque senão ninguém consegue comer! Até aí tudo bem: empada, bolacha, picanha, tudo isso tem que estar novinho, de forma a ser aceito pelo paladar dos comensais.
       Mas mulher, não. Onde já se viu comparar mulher a picanha, a quindim, a rapadurinha. É bem verdade que existe mulher melancia, mulher morango, mulher pêra, e essas realmente tem que ser novas, pois com o passar do tempo deverão perder o prazo de validade, e, aí sim, tal como as frutas, haverão de se tornar também incomíveis para qualquer um.
       Mas mulher, mulher de verdade, não precisa ser assim não. Mulher não é só carne, ou peito, ou bunda... Mulher é cheiro, é pele, é perspicácia, é intuição, é segredo, é mistério... Mulher - diz o poeta - tem até alma, embora a alma de uma mulher contenha tantos mistérios que é mais fácil descobrir os segredos do universo do que uma simples partícula da alma feminina.
       As mulheres são assim, e mais, são decididas, dinâmicas, resolvidas. Elas - sabe-se já há algum tempo - possuem a tal visão periférica, que lhes permite ver e fazer várias coisas ao mesmo tempo. Por isso podem ser mães, trabalhadoras, donas de casa e amantes, tudo a um só tempo, diferentemente dos homens que não conseguem sequer falar ao telefone enquanto assistem ao jogo de futebol. E olha que ainda são as mulheres que alcançam a cerveja...
       Então, que história é essa de que mulher tem que ser nova, ou tem que estar "no ponto"? Mulher não é chuleta, não é bife, e o verdadeiro ponto de uma mulher passa as vezes a vida inteira sem ser descoberto.
       Mulher não tem que ser nada disso, não precisa ser nova, e, aliás, nem necessita se manter permanentemente uma deusa da beleza.
       Mulher tem que ser mulher, simplesmente, e, principalmente, tem que ser descoberta pelo seu parceiro como tal. Mas essa, provavelmente, deve ser a parte mais difícil para os homens...

*O Pedro é meu velho amigo, colega de Santa Margarida e da Faculdade de Direito. Sou seguidor fiel do blog dele, www.autoretratopedro.blogspot.com , de onde copiei/colei (sem sequer perguntar se me autorizava) esta crônica maravilhosa. Pura sensibilidade! Parabéns Pedro e parabéns, duplamente, Verônica!

Decisão histórica

       Movimento Gay brasileiro comemora mais uma vitória.
       Na semana que passou o Superior Tribunal de Justiça reconheceu o direito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.
       É, mas a decisão foi pau a pau.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

DKW (outro)

Fotografia de Alexandre Schlee Gomes

A literatura e a banca do lado (pequena homenagem ao escritor Aldyr Garcia Schlee) por Paulo José Miranda*

Há no Brasil, ao nível das artes em geral e da literatura e poesia em particular, um desfasamento enorme, quanto à chegada das mesmas ao público, entre aquilo que é produzido em São Paulo e aquilo que é produzido no resto dos estados do país. Isso deve-se em grande medida à dimensão continental do Brasil e a uma provinciana atitude, muito comum no humano, de viver num centro.
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Schlee e Marlene
Foto de L. C. Vaz
Imaginemos a Europa, por um instante. Se pensarmos no continente Europeu em moldes antigos, em moldes pré-queda do muro de Berlim, podemos traçar um mapa de Portugal até à Alemanha, integrando ainda os países não continentais, o caso dos países escandinavos, como sejam a Dinamarca, Suécia, Noruega, Finlândia, e Islândia, e ainda os anglo-saxónicos do Reino Unido e Irlanda. Por conseguinte, para além dos países citados, temos ainda a Espanha, a França, a Bélgica, a Holanda, a Áustria, a Itália e a Grécia. Este território é bem menor que o território do Brasil. Imagine-se agora que todo ele era um só país? Imaginemos também que um imaginário centro seria, por razões de geografia, Paris.
A ser assim, como não seria difícil que as literaturas de países mais afastados do centro se tornassem conhecidas? Como não julgá-las, erradamente, como literaturas regionais? Ora, é precisamente isto que acontece no Brasil. Erradamente se julga de literatura regional o que não é produzido em São Paulo. Por outro lado, São Paulo em relação ao mundo todo, não é ela mesma uma região e, assim, a sua literatura, uma literatura regional? Do mesmo modo que respondemos não à última pergunta, teremos de dizer que a literatura feita no Rio Grande do Sul ou em Mato grosso é uma literatura universal e não regional, se ela realmente for.
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O que define a universalidade de um texto é a escrita do mesmo e não o local de sua produção. Dublin, no início do século XX, era tão provinciana quanto a maioria das capitais de estado do Brasil hoje. E foi dai que surgiu James Joyce. E da provinciana Lisboa saiu Fernando Pessoa. E da provinciana Praga, do início do século XX, surgiu Kafka. A boa literatura é uma erva daninha, cresce em qualquer lugar, onde menos espera e a despeito de todos os esforços para que isso não aconteça.
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Julgo, humildemente, que a grande saída para uma melhoria na literatura brasileira seja a descentralização da mesma, isto é, a descentralização das editoras e revistas da especialidade. Nenhuma grande literatura se faz com grandes editoras. As grandes editoras não semeiam escritores, colhem aqueles que já existem. E fazer existir um escritor é uma tarefa árdua, difícil, demorada. Como não se faz um bom vinho de uma hora para outra. Num primeiro momento, demora ao autor o acto de ler, ler, ler e escrever; e depois demora ao editor o acto de editar, divulgar, divulgar, divulgar.
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A literatura não é novela. Uma editora não é a rede Globo. As mais prestigiadas editoras em Portugal, por exemplo, são pequenas, e são nelas que os grandes escritores se fizeram e ainda se fazem. Publicaram e ainda publicam.
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O romance EXCELSO de Aldyr Garcia Schlee, Don Frutos, foi rejeitado por duas grandes editoras nacionais. Mas o mais importante que aqui temos a reflectir, neste caso, é a demora. A demora que levou a se decidirem a não publicar, que foram anos. Porquê? Porque as grandes editoras têm no seu corpo de decisão pessoas que não têm poder de decisão. Precisam do aval do departamento económico ou financeiro, para saber se podem ou não podem editar determinado livro. Depois, para além disso, muitas das vezes as pessoas responsáveis pela decisão literária, se o livro é bom ou não, deixam muito a desejar em termos de referências, em termos de leituras feitas da história da literatura universal e nacional. E, deste modo, deixam muito a desejar quanto ao seu gosto e aos seus juízos acerca do bom e do mau.
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Assim, e como não podia deixar de ser, Don Frutos, livro de seiscentas páginas (600), denso, profundo, sem qualquer receita para o que devemos ou não fazer quando um celular toca durante um jantar, ou o que fazer quando o marido não elogia a mulher, é um livro condenado a não ser entendido pela lógica de uma multi-nacional ou, muito simplesmente, multi-estadual. A literatura não é um negócio, ponto final. E enquanto não se entender isto e não se mostrar claramente isto aos leitores e potenciais leitores, não vamos passar da cepa torta, escritores e leitores.
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O que é um negócio é a venda de livros. Mas um livro pode ser uma coisa muito feia, desastrosa, entediante... em suma, um livro pode ser uma merda. E esta merda, sim, é um negócio. As centenas de títulos de livros de auto-ajuda que pululam o mercado, e outras coisas da mesma laia, não são literatura e não deveriam sequer ser vendidos no mesmo espaço que se vende literatura. Nós não gostaríamos de ir no açougue (talho) e encontrar ao lado, na banca do lado, quantidades de estrume à venda, pois não? O estrume tem utilidade, claro, mais do que os livros de auto-ajuda, mas não vamos pôr o estrume ao lado da carne.
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Esta falta de coragem de clarificação, de distinguir o trigo do joio, de distinguir a literatura da merda, está a dar cabo da literatura, dos escritores e dos leitores. O modo mais eficaz e rápido de repor a literatura nos seus eixos é, precisamente, conferir autoridade às pequenas editoras e aos diversos estados do país. Ou então assumam que não querem literatura, mas roteiros de novelas e de séries televisivas e livros de trocadilhos escritos por empregados de empresas de publicidade.
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Felizmente tem ainda quem lute contra isto! A ARDOTEMPO pôde editar e fazer chegar até mim o livro Don Frutos, de um dos maiores escritores que li em minha vida: Aldyr Garcia Schlee. Bem haja!

*Reprodução de postagem do http://velhaguardacarloskluwe.blogspot.com/

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Inclusão social

Empresário noveau-riche
inscreveu a filha
para debutar no Dunas Clube

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

24-10-1960

Cangussushi

       Estávamos na festa de lançamento do livro "Na Palma da Mão", do João Félix, quando o Vaz (com toda a capacidade descritiva dele) me contou a respeito deste mimo canguçuense. Ele me prometeu uma foto, para comprovar a existência do artefato. E cumprindo a promessa, mandou-me duas, com o seguinte recado:

Aldyr,
olha lá, hein! não me faz perder essa relíquia "na justiça"...
Foi um ex-colega do Direito, que mora atualmente em Porto Alegre, que achou no Brique da Redenção...
Atenta para o detalhe do "quimono" e cabelo da gueixa e a roupa floriadinha do gay-(u)chu.
Havia esquecido o detalhe do termômetro que deve estar adaptado ao "fuso horário" de Tókio e que deve marcar a temperatura da cidade onde derreteu a usina nuclear com o tsunami.
Há um resquício de "cola", atrás do nipo-guasca, onde deveria estar colado um "portaqualquercoisa".

 


Cheirinho de enxofre

Vade retro,
seu Thomaz!
       Ainda não foi desta vez. O pastor Harold Camping errou de novo. Ele proclamara que o mundo acabaria no dia 21 de outubro. É: sexta-feira passada! O religioso, agora com 90 anos de idade, já tinha se equivocado em sua previsão anterior, de que o fim de tudo, o apocalipse, seria em 22 de maio de 2011.
       Para se redimir, o bom homem da fé forneceu os números da Mega Sena, que serão sorteados na próxima quarta-feira: 12, 16, 24, 46, 48 e 55. Mas avisou que não adianta jogar nessas dezenas, pois terça, sem falta, não vai sobrar pedra sobre pedra!  

domingo, 23 de outubro de 2011

Nando Reis


       Durante mais de duas horas, invadindo o sábado, o titã Nando Reis (acompanhado dOs Infernais), tocou e cantou no velho e bom Guarany. Retribuindo à excitação da platéia - que praticamente lotou o teatro - Nando e os ótimos músicos que o acompanharam fizeram um show "para cima", com muita energia, contagiante. Todos muito simples, sem um pingo de vedetismo. Coisa de gente que está fazendo a coisa por prazer, com muito prazer. Apresentaran canções super conhecidas do público, umas mais antigas (do tempo dos Titãs), seus "clássicos" individuais e as "bregas", incluídas no disco "Bailão do Ruivão". Ninguém ficou sentado!
       Apesar de não me considerar fã do cara, gostei muito do que vi e ouvi, do clima da festa.
       Que venham Hique Gomes, Lenine e Zé Ramalho. O Guarany os aguarda ainda em 2011.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Galeto (from Floripa)

Baita desenho do primo Galeto (Marcelo Schlee Gomes).
Robert Crumb assinaria como dele...

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Refluxo gregoriano

olhando para o chão
o homem reconheceu a própria cara
na do sapo entocado
em que recém escarrara

Nota do BF: às 4 horas da manhã acordei-me com dor no ouvido direito. Foi quando me veio à mente, inteirinha, palavra por palavra, essa coisa pretensiosa aí de cima (que anotei em papel para que não se perdesse antes do amanhecer). É: se beber não durma!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Drama de patins

       O patinador gaúcho (de Novo Hamburgo!) Marcel Stümer voou para Guadalajara em busca do bicampeonato panamericano. Suas chances de conquistar novamente a medalha dourada na "patinação artística" diminuiram significativamente devido a um fato ocorrido em Porto Alegre, pouco antes dele embarcar para o México: sua bagagem foi roubada (incluindo os patins, a roupitcha e o CD contendo a música tema de sua apresentação na disputa).
      
       Mas, em tempo recorde, a mãe e a madrinha do jovem deslizador providenciaram a substituição do que lhe fora surrupiado.
      
       Assim, já em terras mexicanas, montado, Marcel fez questão de posar para as câmeras, dando a entender que vai a-rra-sar ao som de "Ila-ila-riê".

Aviso prévio


Isabel, Dilma...
esse mulherio não deixa
os "empresários" em paz
desde o Império

       No dia 15 de outubro de 2011 o leitor André Leite teve a seguinte "opinião" publicada no Diário Popular: "Mais uma canalhice do governo com quem emprega. Dar um emprego dá prejuízo pois o Estado é quem mais lucra. Um trabalhador não precisa de aviso prévio, FGTS, Justiça do Trabalho e todos esses atrasos. Caso o empresário não precisasse sustentar o Estado com os custos agregados à folha poderia pagar três vezes mais. Ganhar R$ 700,00 e sustentar milhares de parasitas ou ganhar R$ 2 mil em paz sabendo que ninguém está mordendo uma fatia do seu suor para gastar no cabelereiro ou nas pets".
       No dia 15 de outubro de 1886 passou a vigorar no Império do Brasil uma lei que proibia os senhores de açoitar seus escravos. Algum André Leite da época deve ter "opinado" veementemente contra o atraso que aquela lei representaria nas hostes produtivas de antanho.

domingo, 16 de outubro de 2011

Paul Simon

Ouvi Bridge Over Trouble Water e Mrs. Robinson pela primeira vez lá no Yázigi, quando, nos anos 70, o curso ainda funcionava num antigo casarão na esquina da Gonçalves Chaves com a Barão de Butuí (onde atualmente existe um edifício de apartamentos). De cara adorei aquelas duas músicas, que aprendi a cantar com o professor Takeshi (é, meu professor de inglês era... japonês!). Encantei-me com os versos de Mrs. Robinson, cheios de citações. Depois, da RU, gravei em fita cassete The Boxer (aquela que tem uns tiros de canhão, sabem?). Mas foi com o Concerto no Central Park, transmitido pela TV Bandeirantes em 1982, que passei a gostar muito da dupla Simon & Garfunkel (que havia sido desfeita em 1970). Claro que tenho o LP duplo desse inesquecível show em Nova York (com o selinho dourado da "Casa Beiro - discos e fitas"). Dentro do caprichado álbum guardei um recorte da edição de 14 de agosto de 1982 da Folha de São Paulo. É de um texto  do Pepe Escobar (ilustrado com uma cópia do cartaz oficial do "Free Concert") exatamente sobre esse show que acontecera um ano antes, com a presença de 400 mil pessoas.
Depois disso Paul Simon manteve sua profícua produção, dando-nos, entre outras obras primas, o disco Graceland - através do qual apresentou ao resto no mundo uma partezinha maravilhosa da música da África negra.
Dia 13 passado Paul Simon completou 70 anos de idade.
Então, em comemoração, o BF traz a lindíssima balada Rene e Georgette Magritte with their Dog After the War (composta a partir de uma fotografia em que aparecem o pintor surrealista belga Rene Magritte e a mulher dele, Georgette (além do cachorro, é claro), e faz surreal contraponto com os gostos do casal, inclusive (e improvavelmente) por grupos vocais norteamericanos.
Não foi cantada no Central Park, mas (pelo menos hoje) é a minha Paul Simon preferida.  

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Rene e Georgette Magritte com seu cachorro depois da guerra*

Rene e Georgette Magritte com seu cachorro depois da guerra
Voltaram para a suíte de seu hotel
E destrancaram a porta
Livraram-se com facilidade de seus trajes de noite
Eles dançaram à luz da lua
Ao som dOs Penguins
dOs Moonglows
dOs Orioles
e dOs Five Satins
A profunda música proibida
pela qual ansiavam
Rene e Georgette Magritte com seu cachorro depois da guerra

Rene e Georgette Magritte com seu cachorro depois da guerra.
Estavam passeando pela Christopher Street
Quando pararam numa loja masculina
Com todos os manequins vestidos num estilo
que trouxe lágrimas aos seus olhos de imigrantes
Assim como os Penguins
os Moonglows
os Orioles
e os Five Satins
A torrente de riso fácil
fluindo pelo ar
Rene e Georgette Magritte com seu cachorro depois da guerra.

Lado a lado, eles caem adormececidos
Décadas rastejam como índios
O tempo não é nada
Quando eles acordarem descobrirão
Que todos os seus pertences pessoais se misturaram

Rene e Georgette Magritte com seu cachorro depois da guerra.
Foram jantar com a elite do poder
e eles olharam dentro da gaveta do seu quarto
E o que vocês acham
que eles tinham escondido
No frio arquivo dos seus corações?
Os Penguins
Os Moonglows
Os Orioles
e Os Five Satins
Por agora e para sempre
Como era antes
Rene e Georgette Magritte com seu cachorro depois da guerra.

*Esta "versão" é do BF, cujo titular - como explicado acima - estudou inglês em meados do século passado e, além de tudo, com um professor nipônico. Assim, fica sujeita a eventuais (ou inevitáveis) correções.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Cartas do Rio III

Ari:
Agora só mando fotos!
De um inesquecível anoitecer no Pão de Açúcar...
Sem montagem, sem photoshop. Apenas a natureza!
Andrey





Bem a calhar as fotos (lindas) do Andrey: o "Cristo Redentor" (braços abertos sobre a Guanabara) está completando, hoje, 80 anos.

Cartas do Rio II

Ari:
Dentro do Jardim Botânico do Rio de Janeiro existe um espaço cultural chamado Instituto-Casa do Acervo Antônio Carlos Jobim, nele estava montada uma exposição sobre Chico Buarque de Holanda. Aproveitando a visita fotografei um desenho do velho Chico que me lebrou os do nosso pai. Vai a lembrança! Acho que deves explicar para os leitores o que se trata.
Andrey


Explicação do BF: o desenho aí de cima, do Chico, é muitíssimo parecido com os que nosso pai fazia na infância/adolescência e, depois, quando iniciou sua vida profissional, ilustrando as páginas do Diário e da Opinião Pública.

Este desenho do pai tornou-se conhecido quando da publicação do livro
"Futebol, The Brazilian Way", do inglês Alex Bellos.
Nele estão representados jogadores dos anos 50, "vestindo"
ideias de fardamentos da Seleção Brasileira.
 Como se vê, o uniforme "canarinho, que acabou vencendo o famigerado concurso de 1953
não está entre eles.

    

Cartas do Rio

"Roystonea oleracea"
Ari:
Ontem aconteceu algo realmente incrível! Durante toda a semana passada acompanhei um consultor da Unesco em visita oficial ao Rio de Janeiro. O passeio foi completo: Copacabana, Corcovado, Pão de Açúcar, Lagoa, Baia da Guanabara, Parque da Tijuca, Passeio Público, Aterro do Flamengo, Lapa, entre outros lugares únicos e de rara beleza. A Cidade do Rio de Janeiro é candidata a "Paisagem Cultural Urbana da Humanidade" (Unesco) e esteve realmente linda para o consultor. Mas o incrível ocorreu no Jardim Botânico, quando tive a honra (e oportunidade única) de poder plantar uma palmeira imperial na famosa aléia principal!!!! A "Roystonea oleracea" é originária do Caribe e foi D. João quem plantou a primeiríssima em solo brasileiro -- a Palma Mater -- exatamente no Jardim Botânico que acabara de criar em 1809... Voltaremos!
Andrey

Esporte Clube Pelotas: 103 anos

PARABÉNS!

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(NOSSO PRESENTE JÁ FOI DADO NA FESTA DE DOMINGO PASSADO)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Manchete do DP

"HOJE O CALDO ENGROSSA NA PISTA DOS CRIOULOS"
*Chamada da página 17 do Diário Popular de hoje.


Acima, a sugestão do BF para ilustração da matéria (com os foguetes Usain Bolt, Tyson Gay, Asafa Powell & Cia "engrossando o caldo").

Menos iPod, mais miojo (por Jorge Barcellos)*

       Sou pré-histórico. Não tenho iPhone, iPad e nem iPod. Meu celular tem inúmeras funções graças a Steve Jobs, mas só uso uma ou duas. E quanto a tela touch screen, alguém pode me explicar porque os nomes da agenda deslizam tão rápido que mal consigo selecioná-los?
       Desculpe, estou ficando velho e as rabugices marxistas vem à tona. Não entendo porque tanta idolatria com os feitos de Jobs. Quem disse que suas invenções fizeram avançar a humanidade? Seus aparelhos são o tormento de inúmeros professores: os alunos perdem a concentração da sala de aula porque estão ouvindo seu iPod; você não consegue falar com uma pessoa porque ela está no seu iPhone - “só um instante, só um instante!” - e não abro mão da experiência táctil que um livro possibilita – vade retro iPad!       A celebração dos feitos de Jobs oculta o fato de que todo avanço tecnológico cobra um preço. A invenção do avião foi também a do desastre aéreo; a do navio, o naufrágio e a do trem, o descarrilhamento. Toda a invenção cria o seu acidente, diz Paul Virilio. O avanço digital também tem o seu: torna nossa sociedade mais individualista e compulsiva. Pessoas caminham como zumbis nos parques alheios a beleza natural e a caminhada a dois passa a ser uma caminhada individual; ficam obcecados com a telinha do computador e não desviam o olhar sequer quando você lhes dirige a palavra e a leitura de textos em um iPad só faz as pessoas terem menos paciência para lerem textos longos. Como repetem os adoradores das criações de Jobs, tudo ficou mais fácil com ele, é verdade – outra forma de dizer que seu sucesso se deve ao fato de reconhecer que somos todos estúpidos. “É fácil de usar? Então estou dentro”.A questão é que as criações de Jobs não são instrumentos passivos de informação “Eles fornecem o conteúdo de nossos pensamentos, mas também modelam o processo de pensamento”, diz Nicholas Carr. Isto que dizer que devemos parar de usá-los? É claro que não! só que devemos ser mais críticos quanto ao condicionamento que provoca ao nos possibilitar receber informação de forma rápida e superficial.       Confesso que fiquei mais triste quando morreu em 2007 Momofuku Ando. O inventor do macarrão instantâneo e fundador da Nissin Foods Products morreu aos 96 anos de ataque cardíaco. Ando teve a idéia de criar o macarrão instantâneo depois da 2ª Guerra Mundial quando via as pessoas passando inúmeras horas na fila para comprar alimentos no mercado negro devido ao racionamento. Qual foi a invenção mais importante para a humanidade, a do miojo – nenhuma unanimidade, dirão os nutricionistas – que mata a fome e socializa ou a do iPod que aliena e individualiza?       Alto lá.! É claro que Jobs tem imenso valor, mas não por suas invenções, mercadorias que o Capitalismo adora, mas pela simplicidade das idéias que expressou no famoso discurso de Stanford ”você tem de encontrar o que você ama”. Sorte de Jobs que encontrou algo que também o deixou rico.

*Artigo publicado na Zero Hora de segunda-feira.



       Confesso a minha ignorância. Não sabia quem era o tal de Steve Jobs, que morreu semana passada. Por isso, nem mesmo os rostinhos chorosos do Bonner e da mulherzinha dele, no Jornal Nacional, me comoveram. Custa-me admitir que o cara fosse o "Madre Tereza" da tecnologia, o "gente boa" da era digital. Não estou a fim de ouvir o tal "discurso de Stanford", nem de ler os livros que, sobre o legado desse "Rei Midas touch screen", pululurão em breve. Somente aos filmes da Pixar (da qual foi um dos criadores) me rendo. Bota o Toy Story aí...

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

As bodas do ano! (por Andrey Schlee)

       Como o BF adiantou, ocorreu no último dia 5 de outubro o casamento Dona María del Rosario Cayetana Alfonsa Victoria Eugenia Francisca Fitz-James Stuart y Silva, mais conhecida como Duquesa de  Alba, com o espertalhão Alfonso Diez Carabantes. A cerimônia, realizada na "mais estrita intimidade", contou com a presença dos seis filhos da Duquesa e com um seleto grupo de sangue azul. De Pelotas, compareceram apenas Dona Antoninha (a rainha do gado) e La Röhrig (a rainha da voz). De Rio Grande compareceu Iemanjá (a rainha do mar!). Garibaldo e Catifunda representaram o ramo brasileiro da nobre família. Durante a festa, a Gaga mostrou que tem samba no pé e chegou a arriscar até uma "boquita de la botella". Eis os flashs...

A nubente no axé, encorajada pelos convidados: "vaaai, ordinááária!"

O singelo momento do "sim".

Barato total

       O cão farejador usado na maior apreensão de cocaína pura já realizada na Região Nordeste passou mal e teve que entrar em licença por recomendações de um médico veterinário. O pastor alemão mordeu dois sacos de gesso após suspeitas sobre uma carga acondicionada em cinco contêineres na região metropolitana do Recife no sábado. Foram encontrados aproximadamente 530 kg da droga nos sacos.


       O cão, chamado Nauê, foi adestrado para ter contato com a droga e era o único cachorro farejador em atividade da Polícia Federal. A superintendência do órgão anunciou nesta segunda-feira que começou a investigar o percurso feito pela droga. Os policiais agora querem ouvir todos os envolvidos no transporte da carga, do motorista do caminhão aos dirigentes da empresa exportadora.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Tortura: a dialética dos meios e fins (por Franklin Cunha)*


       A tortura, para os que a justificam, sempre se remete à dialética entre meios e fins. Gillo Pontecorvo, em seu filme de 1966 A Batalha da Argélia, introduz uma cena reveladora sobre a questão: o general francês Mathieu (no filme assim é apresentado o general Massú, chefe da repressão aos nacionalistas argelinos), convocou uma entrevista com jornalistas, os quais logo lhe perguntaram se era verdade que os militares franceses torturavam prisioneiros. Muito tranquilo, Mathieu respondeu: "Senhores, o tema é se queremos que a França saia ou não da Argélia. Se vocês desejam que a França permaneça na país, não me perguntem pelos meios que emprego para conseguir este fim". Além da resposta do militar francês, o notável na entrevista foi que nenhum jornalista se atreveu a retrucar. Assim, Mathieu conseguiu atingir seu objetivo: justificar os meios através dos fins.
       Com o mesmo tipo de dialética, alguns defensores do golpe de 64 (que chamam de Movimento) e da tortura tentam justificar aqueles dois trágicos acontecimentos na história da nação e afirmam que o fato importante sucedido naquela época não foi a tortura, mas sim, o combate à guerrilha, à subversão e às ameaças comunistas, à família, à liberdade. A verdade é que o tema a ser lembrado é, sim, a tortura. O tema absoluto e definitivo é que a tortura não pode ser o meio válido para se obter nada. Isto porque tudo o que se consegue através dela nasce com o estigma da destruição física e moral do ser humano.
       Na Argentina, em 1976, em plena rua pública, foi assassinado por agentes da junta militar o jornalista Rodolfo Walsh, o qual tinha dado publicidade a uma carta dirigida aos militares golpistas, na qual, entre outras afirmações, dizia: "mediante sucessivas concessões à suposição de que o fim de exterminar a guerrilha justifica todos os meios que utilizam, vocês chegaram à tortura absoluta, intertemporal, metafísica na medida em que o fim original de obter informações se perde nas mentes perturbadas dos que a praticam para ceder ao impulso de machucar a substância humana até quebrá-la e fazê-la perder a dignidade que o verdugo já perdeu e quem os comanda também".
       Walsh, ao comentar a relação torturador-torturado, chegou à conclusão de que ambos se fundem na abjeção, na desumanidade, já que a tortura provoca a perda da dignidade do torturado quando este cede, fala, delata e assim trai seus amigos, enquanto o torturador assume a figura do artesão da dor instrumental, da vexação, da perda de qualquer escrúpulo humano.
       Enfim, humildemente, peço perdão a alguns ex-torturados e aos familiares de outros assassinados por lembrá-los de fatos tão desagradáveis, mas, creio, ainda tempestivamente necessários. e, aos torturadores, que a desmemória não os perdoe.

*Artigo - que eu gostaria de ter escrito - publicado na Zero Hora de quarta-feira passada.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Rock in Rio

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       Nestes tempos de Rock in Rio, consegui no YouTube esta pérola. Trata-se do áudio de "Só o Ôme" (não havia videoclipe nos anos 60, é óbvio), mas vale a pena. Letra, música e interpretação maravilhosas.
       Eu me lembrava de "Só o Ôme", mas não sabia nem quem a cantava. Pensava que era o Oswaldo Nunes, um sambista para quem o Chacrinha fez uma campanha, na "Discoteca", tentando descobrir a mãe que o abandora ainda criança.

domingo, 2 de outubro de 2011

Viva Gisele

       Recém lançada, a campanha publicitária "Hope ensina" já foi tirada do ar pelo Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar). Nessa campanha (que conta com comerciais de tevê e anúncios impressos) a famosíssima modelo gaúcha Gisele Bünchen interpreta uma mulher que, em pelo menos três diferentes situações, vê-se na contingência de dar ao marido notícias não muito animadoras. Para tanto, tem duas alternativas: a errada (convencionalmente vestida); e a correta - de acordo com a empresa anunciante - (vestindo apenas peças sumárias de lingerie).
       Conforme o Conar, a campanha tem "conteúdo sexista", discriminando "o indivíduo por seu gênero".
       A Secretaria de Políticas para Mulheres (órgão do Governo Federal), aplaudiu a decisão do Conar, afirmando que "a propaganda promove o reforço do estereótipo equivocado da mulher como objeto sexual de seu marido e ignora os grandes avanços que temos alcançado para desconstituir práticas e pensamentos sexistas".
       Em artigo publicado na Zero Hora de quinta-feira (29/9), a socióloga Lícia Peres tratou do assunto, dizendo: "Como era de se esperar, o movimento de mulheres vem se manifestando através de mensagens de repúdio que chegam através da Rede Feminista de Saúde - uma articulação nacional comprometida com a transformação da sociedade. Tempos convicção de que o respeito e a garantia dos direitos da mulher são requisitos da democracia.". E concluiu: "Além de reducionista, tal campanha é altamente discriminatória. Infantiliza a figura feminina, reforça estereótipos que o cotidiano das mulheres desmente. Está totalmente na contramão da História e da contemporaneidade.".
       Bobagem! Mais uma grande bobagem  numa  época em que nos é exigido comportamento "politicamente correto". Nada mais hipócrita do que esse policiamento que nos é imposto em nome de um "bom tom" absolutamente artificial. 
       Pretender controlar a graça, a brincadeira, o humor é agir de maneira fascista. A censura é uma prática fascista. Deixem que a gente decida se a Gisele está engraçada na propaganda (linda ela sempre está!) e se, por isso, deve-se comprar as calcinhas que ela veste.

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       A propósito, no http://www.autoretratopedro.blogspot.com/ o Pedro Jaime escreveu: "o mundo precisa de maior irreverência exatamente para combater a mediocridade. A presença de espírito é tudo, ela serve, inclusive, para chamar a atenção de situações que necessitam ser alteradas." Ótimo texto, que deve ser lido.