quinta-feira, 30 de junho de 2011

Álbum de figurinhas


"Maradona good.
Pelé better.
 George Best.
 Em 1969 eu abandonei as mulheres e o álcool. Foram os 20 piores minutos da minha vida”

George Best - crack irlandês, nascido em Belfast (1946). Consagrou-se no Manchester United (1963/74). Típico bad boy, era boêmio e  frequentava altas festas. Estava sempre acompanhado de mulhes famosos e a bordo de carrões. Metido a galã de cinema, usava cabeleira esvoaçante e barba. O alcoolismo determinou a decadência precoce na sua carreira futebolística. Mesmo com o fígado desmanchado pela cirrose, jamais deixou de ser um grande frasista. Morreu em 2005.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Vae Victis

       Meu avô, Arnaldo Rosenthal (este senhor ao lado), é nome de rua alí no Areal - quase em frente à Baronesa. O vô, que andava sempre de terno, gravata e chapéu, era extremamente formal e sério. A simples figura dele, mesmo para os netos, impunha um certo "temor reverencial". Já mais no fim da vida, apresentando claros sinais de senilidade, passou a permitir-nos um trato muito mais próximo. Nessa época, costumava recitar versos muito antigos, quadrinhas, coisas de almanaque (às vezes com um improvável sotaque lusitano).
       Quando eu  soube que o Vaz viajaria ao Vaticano (para acompanhar a sagração não-sei-do-quê do Bispo local), lembrei-me de uma dessas coisas que o vô buscava lá do fundo da memória dele. Era assim: "... principais pragas portuguesas: pulgas, piolhos, percevejos...". Isso começava bem antes, e seguia bem adiante, sempre com palavras iniciadas com a letra pê.
       Ah, além do Vaz e de outros jornalistas, uma comitiva local, incluindo representantes do executivo e do legislativo, também se deslocou à Santa Sé para acompanhar a efeméride.
       Então, para o Vaz e para o vô, vejam:

        Via Varig(*), versátil Vaz viajou vetusto Vaticano. Voando, vaticinou veladamente: "Verei Venerável Vigário!". Vocacionado, vislumbrou-se vizinho virtuoso vulto. "Vitória, vitória!", vocalizou.
       Vulgar viés!!!
      Vasculhando volta, viu valoroso vice (Valneizinho), vários vereadores (vencedores/vencidos): "Velvet-Voice", Valdomiro, Velozo, Velocino... Voluptuosos, verbalizavam: "Votos, votos, votos! Votantes vibrarão! Viagem vingará vívida vantagem! Volume vindouros votos valer-nos-á vencimentos vitalícios!"
      Vigilante, Vaz vociferou-lhes: "Vermes! Víboras! Vândalos! Voltarão vampirizando, vis vassalos???!!!"
       Vexame!

*saudosa "licença poética". Outra opção óbvia seria a Vasp, mas nunca a TAP.

       Quem quiser acompanhar as andanças do Vaz no "Velho Continente" é só acessar velhaguardacarloskluwe.blogspot.com

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Tem Caruccio nesse angu!*

Enquanto para os Fetteres
as vacas-servidoras
produzem nada,
na presidência da
Câmara de Veredores
o Dudu... Leite.

*Para a anônima Sandra.

sábado, 25 de junho de 2011

Filosofia pura!

Fotografia de Maribel Felippe, fiel seguidora deste BF

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Paraíso em Jaguarão

Fica ali do lado esquerdo da ponte, no sentido de quem vai para Rio Branco

Paraíso em Arroio Grande

"é sempre família, amigos e Pachamama que nos levam adelante..."
Fotografia (e conclusão) de José Milton Schlee Jr., o primo "Gordo"
*publicada originalmente pelo Vaz no velhaguardacarloskluwe.blogspot.com

Dolores!

       Sexta-feira passada fui treinar na APFM. Resultado: um "mau-jeito" nas costas. É, pessoal, o futebol de mesa também pode ser perigoso, especialmente à saúde dos mais vividos.
       A sensação que tenho é de ter levado uma machada na altura da cintura (alguém já experimentou isso?). Dor, dor e dor. Dificuldade para caminhar, sentar, deitar... pensar, até. Por isso o BF ficou de lado nestes últimos dias.
       Pesquisando, descobri uma antiga simpatia para combater dores como a que vem me afligindo. É assim: pegar um abacate maduro que seja roxo, retirar o caroço e ralar bem; depois de ralado, colocar o pó junto com um litro de álcool comum e deixar em infusão durante dois dias; por fim, passar a mistura na parte dolorida, ao deitar, para não apanhar friagem.
       Ah, e tomar, de oito em oito horas, um antinflamatório!

domingo, 19 de junho de 2011

O Recorrente Delírio Classificatório (por Jorge Luis Borges)*

Este, beeem de longe,
parece uma mosca
Nas remotas páginas do "Empório Celestial de Conhecimentos Benévolos" - antiga enciclopédia Chinesa cujo modesto propósito é de encaixar todas as coisas do universo em categorias - é curioso observar, entre outras preciosidades, a seção dedicada à classificação dos animais. As categorias às quais eles podem pertencer são as seguintes:

a) pertencentes ao Imperador;
b) embalsamados;
c) amestrados;
d) leitões;
e) sereias;
f) fabulosos;
g) cães soltos;
h) incluídos nesta classificação;
i) que se agitam como loucos;
j) inumeráveis;
k) desenhados com um finíssimo pincel de pêlo de camelo;
l) etcétera;
m) que acabam de quebrar o vaso;
n) que, de longe, parecem moscas.

O etcétera parece ter sido incluído num momento de fastio do enciclopedista; a lista poderia muito bem terminar por aí, mas razões desconhecidas o levaram a acrescentar duas categorias circunstanciais. A utilidade desta classificação aparentemente se perdeu junto com o nome do autor; porém ela permanece como um divertido exercício de caos e prova que, nem sempre, o desaparecimento definitivo das culturas, das gentes e das tradições é prejudicial à humanidade.

*Extraído do conto O idioma analítico de John Wilkins, incluído no livro Outras inquisições (Companhia das Letras, 2007). Colaboração de Andrey Schlee, desde a NovaCap.

A "Dupla Dinâmica"

O Homem-Morcego e o Menino-Prodígio.
Quem estará por trás dessas identidades secretas?

sábado, 18 de junho de 2011

Onha, onha, onha...

       Vem dividindo a opinião pública em geral a questão relativa à discriminalização do uso da maconha (vulgarmente conhecida por cannabis sativa) no país. Nossa mais alta Corte foi chamada a posicionar-se, por isso, quanto à programada "Marcha da Maconha", deliberando não se tratar, no caso, de ato destinado à apologia ao crime, mas sim o exercício do direito de livre manifestação e de expressão, garantido constitucionalmente.
       Sendo assim, nas principais cidades brasileiras desfilaram aqueles que desejam a liberação da erva-que-passarinho-fuma-mas-não-traga.
       Abaixo vemos cena da "Marcha" ocorrida na Av. Rio Branco, no Rio de Janeiro, na qual se integraram os jovens patriotas aquartelados em Realengo, especialistas na arte de marchar. 


       Garbosamente, os infantes entoavam, ao som compassado de seus coturnos contra o solo: "um, dois, feijão com arroiz/ trêis, quatro/no baseado dou um trato".

Ah, essa mardita (de novo, sô!)

Tucano teria comido dois bombons
de licor. O cavalo
não aguentou o bafo na nuca.
       O senador mineiro Aécio Neves, do PSDB, sofreu um acidente enquanto montava um cavalo, nessa sexta-feira (17), na fazenda de um primo, em Minas Gerais. Quebrou a clavícula e cinco costelas. Sente muita dor ao respirar. Precisará ficar, no mínimo, 10 dias em repouso total.
       Consta que o senador negou-se a fazer o teste de dosagem etílica, alegando que, na verdade, o problema não era ele, mas o equino que montava, da raça Land Rover, total flex.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Não, Pedro Bó...

video

       Entre 1973 e 1980 a TV Globo levou ao ar (inicialmente em preto e branco e, a partir de 1975,  a - muitas - cores) o programa Chico City. Era um programa humorístico, que apresentava uma sequência de esquetes, os quais se passavam na cidadezinha fictícia do título. Cada um desses esquetes era centrado em um personagem criado e interpretado por Chico Anísio.
       Das dezenas de personangens que "viveram" naquela época, com seus bordões que se integraram rapidamente ao uso cotidiano, dois me vêm à cabeça agora, como os mais engraçados: Pantaleão (o velho nordestino que, de pijamas, numa cadeira de balanço, sempre acompanhado da mulher, Terta, e do afilhado, o retardado Pedro Bó, contava os mais absurdos causos a alguém que os visitava) e Coalhada (o estereótipo do "futebolista" da época: ignorante e cachaceiro, cada semana com a camiseta de um clube diferente).
       É bem posssível que, hoje, revendo partes do programa (o que é possível através do YouTube e de sites especializados), não se ache graça alguma, na medida que o humor baseado no "bordão" (herança ainda da "era do rádio") ficou para trás, datado. Mas vale a pena - aos mais velhos - relembrar um pouco daquilo de que se ria nas noites das quintas-feiras.
       Então, ao alto, Pantaleão (Chico Anísio), "prosando" com o visitante (Luis Delfino), sob o olhar complacente de Terta (Suely May) e a devoção de Pedro Bó (Joe Lester). Abaixo, fotografia raríssima de Coalhada envergando o manto sagrado Xavante!

"Coalhada é isso, Coalhada é aquilo..."

terça-feira, 14 de junho de 2011

Complexo de vira-latas* (por Nelson Rodrigues)

       Hoje vou fazer do escrete o meu numeroso personagem da semana. Os jogadores já partiram e o Brasil vacila entre o pessimismo mais obtuso e a esperança mais frenética. Nas esquinas, nos botecos, por toda parte, há quem esbraveje: - “O Brasil não vai nem se classificar!”. E, aqui, eu pergunto: - não será esta atitude negativa o disfarce de um otimismo inconfesso e envergonhado?
       Eis a verdade, amigos: - desde 50 que o nosso futebol tem pudor de acreditar em si mesmo. A derrota frente aos uruguaios, na última batalha, ainda faz sofrer, na cara e na alma, qualquer brasileiro. Foi uma humilhação nacional que nada, absolutamente nada, pode curar. Dizem que tudo passa, mas eu vos digo: menos a dor-de-cotovelo que nos ficou dos 2 x 1. E custa crer que um escore tão pequeno possa causar uma dor tão grande. O tempo em vão sobre a derrota. Dir-se-ia que foi ontem, e não há oito anos, que, aos berros, Obdulio arrancou, de nós, o título. Eu disse “arrancou” como poderia dizer: - “extraiu” de nós o título como se fosse um dente.
       E, hoje, se negamos o escrete de 58, não tenhamos dúvidas: - é ainda a frustração de 50 que funciona. Gostaríamos talvez de acreditar na seleção. Mas o que nos trava é o seguinte: - o pânico de uma nova e irremediável desilusão. E guardamos, para nós mesmos, qualquer esperança. Só imagino uma coisa: - se o Brasil vence na Suécia, e volta campeão do mundo! Ah, a fé que escondemos, a fé que negamos, rebentaria todas as comportas e 60 milhões de brasileiros iam acabar no hospício.
       Mas vejamos: - o escrete brasileiro tem, realmente, possibilidades concretas? Eu poderia responder, simplesmente, “não”. Mas eis a verdade: - eu acredito no brasileiro, e pior do que isso: - sou de um patriotismo inatual e agressivo, digno de um granadeiro bigodudo. Tenho visto jogadores de outros países, inclusive os ex-fabulosos húngaros, que apanharam, aqui, do aspirante-enxertado Flamengo. Pois bem: - não vi ninguém que se comparasse aos nossos. Fala-se num Puskas. Eu contra-argumento com um Ademir, um Didi, um Leônidas, um Jair, um Zizinho.
       A pura, a santa verdade é a seguinte: - qualquer jogador brasileiro, quando se desamarra de suas inibições e se põe em estado de graça, é algo de único em matéria de fantasia, de improvisação, de invenção. Em suma: - temos dons em excesso. E só uma coisa nos atrapalha e, por vezes, invalida as nossas qualidades. Quero aludir ao que eu poderia chamar de “complexo de vira-latas”. Estou a imaginar o espanto do leitor: - “O que vem a ser isso?”. Eu explico.
       Por “complexo de vira-latas” entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. Isto em todos os setores e, sobretudo, no futebol. Dizer que nós nos julgamos “os maiores” é uma cínica inverdade. Em Wembley, por que perdemos? Porque, diante do quadro inglês, louro e sardento, a equipe brasileira ganiu de humildade. Jamais foi tão evidente e, eu diria mesmo, espetacular o nosso vira-latismo. Na já citada vergonha de 50, éramos superiores aos adversários. Além disso, levávamos a vantagem do empate. Pois bem: - e perdemos da maneira mais abjeta. Por um motivo muito simples: - porque Obdulio nos tratou a pontapés, como se vira-latas fôssemos.
       Eu vos digo: - o problema do escrete não é mais de futebol, nem de técnica, nem de tática. Absolutamente. É um problema de fé em si mesmo. O brasileiro precisa se convencer de que não é um vira-latas e que tem futebol para dar e vender, lá na Suécia. Uma vez que se convença disso, ponham-no para correr em campo e ele precisará de dez para segurar, como o chinês da anedota. Insisto: - para o escrete, ser ou não ser vira-latas, eis a questão.

*Publicada originalmente na Manchete Esportiva de 31/5/58. Última crônica de Nelson Rodrigues antes da estreia do Brasil na Copa da Suécia. Extraída do livro "À Sombra das Chuteiras Imortais - Crônicas de Futebol" (Ed. Companhia das Letras).

Resolvi buscar e reproduzir integralmente esta crônica em razão da referência à expressão que a ela dá título no texto do Desembargador Gischkow Pereira, postado anteriormente. Sugiro ao leitor um exercício: identificar "argumentos" na imprensa (especialmente nos jornais diários e nas revisas semanais) que são construídos sobre o tal "complexo de vira-latas" que nos acomete ciclicamente. Comecem, por exemplo, com matérias sobre a Copa de 2014... 

Furo!



Não faz muito, bombaram na mídia estas fotos do superstar futebolístico David Beckham com uma latinha de Guaraná Fruki na mão. É, isso mesmo, aquele guaranazinho meia-boca feito lá por Lajeado.

Mas vejam só o que o olho ciclópico e ferino deste blog descobriu e mostra agora em primeira mão e com exclusividade: a diva pop Lady Gaga usou - como bobs em seu cabelo - no clip da música Telephone... latas da nossa BIRI COLA! Olhem só:

"Biri, boró
Biri, boró, boró...
pegou a Fruki e ó, ó, ó!!!!"

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Castelo Branco e o Deputado (por Sérgio Gischkow Pereira*)

       Monteiro Lobato cometeu erros graves — quem não o faz, mais ainda quando arrisca permanentemente emitir opiniões públicas —, como no ataque à arte moderna, no texto Paranoia ou mistificação, contido em Ideias de Jeca Tatu, quando atacou o trabalho de Anita Catarina Malfatti. Mas acertou em cheio quando ridicularizou a mania de utilização desnecessária de vocábulos estrangeiros (na época principalmente o francês), ao imaginar as surpresas de Camilo Castelo Branco ao reencarnar em território brasileiro (Curioso caso de materialização, também nas Ideias de Jeca Tatu). Pasmou-se com a macaquice. Camilo chegou a pensar que não estava no Brasil! 'Datou de se desmaterializar rapidamente. Antes de partir, expressou seu receio de que nos nascessem caudas e passássemos a circular pelas árvores, com bananas na munheca, desmentindo Darwin. E arrematou: "O inglês pôs o macaco no começo da evolução: vocês provam que ele acertaria melhor pondo-o no fim".
       Todos têm o direito de entender que houve excesso em recente projeto de lei regulando uso de vocábulos estrangeiros. Está faltando é o contraponto, o outro lado da questão. Se querem ridicularizar o projeto, pelo menos critiquem também o ridículo emprego de estrangeirismos por puro esnobismo e complexo de inferioridade, como se percebe, por exemplo, na denominação de edifícios, de lojas, de restaurantes, de casas de diversão, em expressões publicitárias etc. O estrangeiro que vem ao Brasil fica com a pior das impressões a nosso respeito, pois vê o quanto nos curvamos diante deles. É provável que o deputado Carrion tivesse, como um de seus objetivos, denunciar estas práticas deprimentes, risíveis e humilhantes.
       O complexo de vira-lata — que, aliás, não tem razão de ser — poderia ser ao menos disfarçado. Se Dominique Strauss-Kahn fosse brasileiro, estaríamos afirmando que agiu como dizem que agiu porque é brasileiro. O francês não vai declarar que Dominique fez o que fez porque é francês. A Suíça é baluarte da honestidade, mas não lembra os bilhões mal havidos e lá guardados. O Japão nem se fala: lá todos são santos; não adianta inúmeros livros descreverem a enorme influência e os horrores praticados pela máfia japonesa (Yakuza), com influência em vários círculos de poder. Quando a mulher sem calcinhas esteve no palanque de Itamar Franco (ele sequer poderia ser responsabilizado), todos lamentaram que esta vergonha sucedesse com o presidente brasileiro, esquecendo Bill Clinton com Mônica e os escândalos da família real inglesa; lá não declararam que aquilo sucedia porque eram americanos ou ingleses. A história dos EUA foi sempre recheada de corrupções (lembrem a conhecida expressão "barões ladrões") e com intensa ação do crime organizado. Não adianta o Brasil oscilar na posição de 7ª 8ª 9ª TI economia mundial: tudo aqui é mal feito. Os ditos países do primeiro mundo cometeram e cometem atrocidades horríveis pelo mundo afora. Não há espaço para arrolar milhares de situações censuráveis pelo mundo. E adiantaria? A ignorância e a má-fé insistem em desconhecê-las. Mas eles são os bons e a nós resta tentar subir de categoria usando desnecessariamente suas palavras...
       Se Camilo retornasse outra vez, seu desespero aumentaria e haveria de se solidarizar com o deputado. Também aproveitaria para aconselhar menor complexo de vira-lata.

*Desembargador aposentado (artigo publicado na p. 4 dO Sul de hoje – Coluna da AJURIS)

O Caso Battisti



       Sob o título "Fica, Battisti!", foi publicado hoje na página 15 da Zero Hora artigo do jornalista Cláudio Britto a respeito da "Questão Battisti".
       O autor é Promotor de Justiça aposentado e, para minha surpresa, posiciona-se neste caso exatamente no sentido contrário ao da mídia em geral, orientadora da opinião pública com um típico "argumento de botequim": "já não bastassem os nossos bandidos, ficamos com mais um por aqui".
       Digo que me surpreende tal posição porque a tendência dos promotores, por força do hábito profissional, é pleitearem a condenação, a imposição da pena, a oneração do acusado.
       Mas, livre disso, o Claudio Brito colocou tudo no seu devido lugar, de forma simples e absolutamente clara. Sem demagogia (que se viu em votos vencidos no STF, aliás).
        Eis o artigo:
      
       Não foi o Supremo que negou a extradição de Cesare Battisti. Foi o presidente Lula, cumprindo rigorosamente o tratado do Brasil com a Itália, vigente desde 1993, pelo qual será negada a entrega de um condenado se o fato pelo qual é pedida for considerado crime político pelo país requerido. Lula entende que foram políticos os crimes de Battisti, mas como a Justiça afastou a possibilidade, o presidente negou a extradição por outro fundamento, também extraído do tratado, que diz: “Será negada a extradição se o país requerido tiver razões ponderáveis para supor que a pessoa reclamada será submetida a atos de perseguição e discriminação por motivo de raça, religião, sexo, nacionalidade, língua, opinião política, condição social ou pessoal, ou que sua situação possa ser agravada por um dos elementos antes mencionados”.
       O Brasil entendeu que “...há ponderáveis razões para se supor que o extraditando seja submetido a agravamento de sua situação, por motivo de condição pessoal, dado seu passado, marcado por atividade política de intensidade relevante”.
       Queiram os italianos ou não, o Brasil, por seu presidente, podia dizer não à extradição, ainda que sua mais alta corte judicial admitisse o pedido. Como bem disseram os ministros Ayres Britto e Ricardo Lewandowski, depois de afastarem a reclamação italiana: em matéria de extradição, o não é não, mas o sim é talvez. A fase judicial da extradição vincularia o presidente se fosse para negar a medida. Quando a Justiça acolhe a extradição, sinaliza ao presidente que ele poderá entregar o condenado ou não. Valendo-se do tratado, Lula entendeu presentes as condições para negar a extradição. Não pode o STF rever e anular o poder discricionário presidencial. No caso, inspirado no pensamento e em atos do ministro da Justiça, Tarso Genro, que antes concedera refúgio a Battisti. Tudo transcorreu em normalidade, cumpridos os ritos e aplicada a legislação com correção. A lucidez do julgamento teve o conforto da folgada maioria, apesar do relatório de Gilmar Mendes, que revia aspectos que o plenário encerrara ao não julgar a reclamação. O presidente do tribunal, Cezar Peluso, ficou isolado ao dizer que Lula descumprira a lei e a decisão judicial favorável à extradição. Lula não estava obrigado a seguir o que disseram os ministros no primeiro julgamento.
       Aceitar a contraposição entre Executivo e Judiciário, em tema de extradição, seria o ingresso indevido da magistratura nas competências exclusivas do presidente da República, em ofensa ao princípio constitucional da separação dos poderes, como disse Lewandowski.
 

A Fifa

Eu sempre soube!
Todo mundo sabe: não se deve criar cachorro em apartamento.
Mas me deixei levar pelos votos da Fernanda e da Flor
(que nunca, antes, tiveram cachorro na vida).

Então compramos a Fiorella, a Fifa...

Ela dorme na nossa cama.
Ela ronca como um trator.
Ela peida inoportunamente.
Ela faz xixi e cocô na cozinha.
Ela gosta de latir depois da uma da manhã.
Ela destruiu todos os nossos móveis de madeira.
Ela comeu nossos tapetes.
Ela mastigou os meus óculos, os controles das tvs e os saltos dos sapatos da Nanda.
Ela exige passear na rua à noite, ainda que esteja muitíssimo frio.


Ela é fantástica!
Trazê-la para casa foi a coisa mais certa que fizemos nos últimos tempos!

domingo, 12 de junho de 2011

Reclame

       "As cortinas são complemento indispensável na decoração do lar. Embelezam e complementam o ambiente tornando-o mais alegre e acolhedor. Pode-se dizer até que uma casa sem cortinas é uma casa despida, sem os atavios que fazem dela o nosso encanto e nos dão a sensação de aconchego e bem estar. As cortinas são, também, as disciplinadoras da luz. Nos dias de muito sol elas coam a claridade, impregnando o ambiente de uma discreta distinção que faz ressaltar, com mais finura, os móveis e os objétos. As cortinas podem ser luxuosas ou modestas, mas sempre a sua presença, empresta ao ambiente uma nota de côr, de alegria e de arranjo que muito concorre para que nos sintamos satisfeitos, e, portanto felizes." 

Texto  muito bacana, de propaganda das cortinas vendidas pela CASA PATZER, que ficava localizada à rua Andrade Neves, 565/569 (com o telefone 392), aqui em Pelotas. Essa loja foi a patrocinadora do "Carnet Esportivo 1950" (contendo as tabelas dos campeonatos pelotense, carioca e paulista daquele ano), que me foi presenteado - em perfeito estado de conservação - pelo "primo" Marcelo Conceição. Chama a atenção o fato de, nesse "carnet", sequer existir referência ao Grêmio e ao Internacional. Bons tempos aqueles...

Grandes quadrinhos II

A Família Brasil - Luis Fernando Veríssimo (na ZH de hoje)

- Não sei se foi uma boa idéia vir para um motel para estimular nossa vida sexual...
- A televisão lá de casa é maior

sábado, 11 de junho de 2011

Tempo maravilhoso
aquele de namoro
Pena que a vida da gente
não tem a tecla REW

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Juris tantum

       Já tendo deixado para trás a "subida da Consolação" da São Silvestre forense que corro desde 1985 e já visualizando, não muito distante, a faixa de chegada da aposentadoria, atrevo-me, agora, a oferecer aos seguidores fiéis e aos leitores ocasionais deste BF um pouco do conhecimento que adquiri, na prática, ao longo desta jornada.
       Não bastasse essa experiência acumulada, convém lembrar que, oriundo da "Casa de Bruno Lima", fui aluno do renomado mestre Alcides de Mendonça Lima (filho do que empresta o nome à "casa"), de cujas aulas seguem na minha memória suas referências à "Copa de Mundo de xexenta e xeis, na Ingraterra".
       A título de contribuição aos mais novos nas lides forenses e àqueles, leigos, que têm a sede do saber, passo a tecer algumas considerações acerca de interessantes filigranas jurídicas - diferenciando alguns recursos em geral e remédios constitucionais, em linguagem simples e, na medida do possível, com exemplos singelos de suas aplicações:

"Apelação" - recurso dotado de automaticidade, que é interposto diretamente pela própria parte (independente de advogado) quando toma conhecimento - em plena audiência - que perdeu sua "causa". A apelação não é direcionada a uma instância superior, mas para a ignorância: chama-se a parte contrária de corno-safado e o juiz de filha da puta, por exemplo.

"Agravo de Instrumento" - previsto no "Estatuto do Idoso", é disponibilizado aos homens com mais de 60 anos de idade. Essas pessoas, quando começam a perceber que o instrumento já não está com pleno funcionamento, recorrem ao uso de certos comprimidos azuis, trazidos de Rio Branco na moita. Às vezes, porém, esse recurso não dá resultado, podendo agravar o problema do instrumento.

"Recurso em Sentido Estrito" - somente presente na legislação de trânsito. Quando alguém, na direção de um veículo automotor, ingressa em rua estreita, de mão única e sem-saída. O mesmo que marcha à ré.

"Protesto Por Novo Júri" - está em desuso desde a decadência dos programas de auditório e dos concursos de misses. No passado, os calouros reprovados pelos júris do Chacrinha, do Silvio Santos e de tantos outros apresentadores, protestavam no palco mesmo, exigindo uma nova chance, porém com outros jurados. Mães de misses não classificadas entre as finalistas do "Concursos Beleza Internacional Catalina", escabelando-se, da mesma forma protestavam.

"Recurso de Revista" - utilizado somente nos foros trabalhistas. Lá, como é sabido, as audiências costumam atrasar muito e a precariedade dos banheiros é notória. Então, diante desse quadro, convém a reclamantes e reclamados precaverem-se, levando consigo, quando tiverem que enfrentar uma tarde de espera nesses locais, revistas para o entretenimento. Essas revistas, a propósito, serão de muita utilidade na hipótese de uma dor de barriga repentina acometer a parte. Pela ausência de papel higiênico nos sanitários, serão, por assim dizer, o último recuso disponível.

"Habeas Data" - remédio constitucional lançado mão quase que exclusivamente na Justiça Desportiva, em jogos das Séries C e D do Campeonato Nacional. Tem utilização pelo trio de arbitragem que vem do centro do país apitar jogos como Brasil x Ituiutaba, por exemplo. Nesse caso, mesmo desabando um dilúvio sobre o estádio, o árbitro vai ao espelho d'água em que se transformaram as "quatro linhas" e declara: "- não habeas data para a transferência do jogo; o campo tem plenas condições para a prática do futebol!".

"Habeas Corpus" - outro remédio jurídico, porém com origem no ordenamento lusitano, onde a expressão foi ouvida pela primeira vez. Lá, em célebre desastre ocorrido em meados do anos 60, avião da TAP acabou caindo sobre o cemitério de Lisboa. Ao ser entrevistado, Joaquim Manoel Canotilho, um bombeiro-jurista que trabalhava nos escombros informou: "- já achamos 2.654 cadáveres, mas ainda habeas corpus enterrados, ô pá!".

"Mandado de Segurança" - é, na verdade, uma ação, praticada via de regra por um sujeito avantajado fisicamente, vestido com uma camiseta apertadinha e com a inscrição "apoio". É dirigido especialmente a frequentadores de boates e festas que, bebuns, tenham se comportado mal. Visa a proteção da integridade física do incauto, a quem é mandado: "- te arranca daqui, se não vou te quebrar a cara!".


Flagrante de má utilização da balança,
símbolo máximo da JUSTIÇA:
o DIREITO ficou em segundo plano


quinta-feira, 9 de junho de 2011

Luis Fernando Veríssimo/ZH/hoje

EXPLICADO
POR QUE O MUNDO
ANDA NESTE ESTADO
DE SE LAMENTAR:
A TERRA É BIPOLAR!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

No Milk Today

        E segue o impasse entre os municipários e a Prefeitura.
       Não é para menos: o interlocutor do executivo junto aos municipários é o Chefe de Gabinete Abel Peixe Dourado (resquício de "um tempo/página infeliz de nossa história", cujo ápice foi um mandato biônico na prefeitura da Noiva do Mar).
       Não bastasse isso,  o Secretário de Administração local, Julio Caroço, colaborou bastante com o debate, comparando os servidores públicos a certas vacas de raça que o prefeito andou adquirindo. Essas vacas, que deveriam produzir cerca de 40 litros de leite por dia, depois de alojadas na propriedade dos "Fetteres", só vêm dando míseros 4 litrinhos/dia. Para Caroço, a produção dos servidores  públicos, depois de obtida a estabilidade é... 4 litrinhos! 
       A propósito, diante da demonstração de tanta sensibilidade, de tanta capacidade de diálogo, cabe aqui a inserção de uma fotografia obtida com exclusividade...
... da vaca da primeira-dama!

terça-feira, 7 de junho de 2011

Quem é o dono do peixe?


Questão de lógica (supostamente) proposta por Albert Einstein para a aferição do grau de inteligência

Há cinco casas, de diferentes cores, e em cada uma mora uma pessoa de nacionalidade diferente

Esses cinco proprietários bebem diferentes bebidas, fumam diferentes marcas de cigarros e têm, cada qual, um certo animal de estimação.

O inglês vive na casa vermelha.

O sueco tem cachorros.

O dinamarquês bebe chá.

A casa verde fica do lado esquerdo da branca.

Quem vive na casa verde bebe café.

O homem que fuma Marlboro cria pássaros.

O que mora na casa amarela fuma Hollywood.

O da casa do meio toma leite.

A primeira casa é do norueguês.

Carlton é o cigarro de quem vive ao lado do homem que cria gatos.

O criador de cavalos mora ao lado de quem fuma Hollywood.

O que fuma Free bebe cerveja.

O cigarro do alemão é o Camel.

O norueguês vive ao lado da casa azul.

O homem que fuma Carlton é vizinho do que bebe água.

... não é direito/bater numa mulher/que não é sua

       Moreira da Silva, o Kid Morengueira, morreu com quase 100 anos, em 6 de junho de 2000. Foi o mais importante compositor e intérprete do chamado "samba-de-breque".
       Como homenagem deste BF ao "eterno malandro" aí vai o clássico "Na Subida do Morro" (extraído do filme "Maria 38", de 1960, dirigido por Watson Macedo). Consta que essa música foi, na verdade, composta pelo célebre sambista Geraldo Pereira e adquirida por Moreira para gravação no ano de 1952. Acabou sendo regravada outras tantas vezes, sem jamais, nos créditos, aparecer o nome do verdadeiro autor (mas sim os do próprio Morengueia e o de Ribeiro Cunha, que era o cara que fazia os chapéus do malandro).


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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Há 67 anos, o "Dia D"

       "A Operação Overload, a invasão da Europa pelos aliados, começou precisamente quinze minutos após a meia-noite de 6 de junho de 1944 - na primeira hora de um dia que seria para sempre conhecido como o "Dia D". Nesse momento, alguns homens especialmente escolhidos da 82ª e da 101ª Divisões Aerotransportadas do exército americano saltaram de seus aviões à luz do luar sobre a Normandia. Cinco minutos mais tarde e a oitenta quilômetros de distância, um pequeno grupo de homens da 6ª Divisão Aerotransportada britânica também pulou de seus aeroplanos. Esses homens exerciam a função de batedores e tinham a missão de acender fogueiras para iluminar as zonas de lançamento dos paraquedistas e tropas de infantaria transportadas por planadores, que deveriam segui-los em breve.
       Os exércitos aerotransportados dos Aliados estavam claramente demarcando os limites extremos do campo de batalha da Normandia. Entre eles e ao longo da costa francesa haviam sido escolhidos cinco praias para o início da invasão: Utah, Omaha, Gold, Juno e Sword. Durante as horas que precederam o amanhecer, enquanto os paraquedistas combatiam nas sebes escuras da Normandia, a maior frota que o mundo jamais conhecera começou a tomar posições ao largo dessas praias - quase cinco mil navios, transportando mais de duzentos mil soldados, marinheiros e guardas costeiros. A partir das 6h30min da manhã, precedidos por um maciço bombardeio aéreo e naval, alguns milhares desses homens avançaram através das águas até a praia, na primeira onda da invasão.
       O que se segue não é uma história militar. É a história de pessoas: os homens das Forças Aliadas, os inimigos que eles combateram, e os civis que foram surpreendidos na confusão sangrenta do Dia D - o dia do início da batalha que acabou com o insano jogo de Hitler na busca peladominação do mundo." (Prefácio do livro "O Mais Longo dos Dias" (Ed. L&PM Pocket), de Cornelius Ryan, famoso correspondente de guerra.)

               
      Na abertura de outro livro sobre o tema, "O Dia D - A Batalha Culminante da Segunda Grande Guerra" (Ed. Bertrand Brasil), o autor Stephen F. Ambrose reproduz as impressões dos maiores protagonistas da IIª Guerra a respeito do fato histórico que alterou definitivamente o destino daquele conflito e, mais do que isso, o destino da própria humanidade, sem qualquer dúvida: Winston Churchilll declarou tratar-se de "A mais difícil e complicada operação de todos os tempos"; Adolf Hitler, antecipadamente, advertiu aos seus que "A destruição do desembarque inimigo é o único fator decisivo em toda a condução da guerra e, por conseguinte, em seus resultados finais"; Joseph Stalin reconheceu que "A história da guerra não tem conhecimento de uma empresa comparável no que se refere à amplitude de concepção, grandiosidade de escala e mestria de execução" e Dwight Eisenhower, na "Ordem do Dia de 4 de junho de 1944" desejou "Boa sorte! E vamos todos rogar a Bênção de Deus Todo-Poderoso sobre este grande e nobre empreendimento".
       Desde quando era gurizote me interesso pela história da IIª Guerra. Meu primeiro contato com o tema foi visual. Lá em Jaguarão, dentre os livros do Tio Tato, havia dois ou três volumes de uma enciclopédia ilustrada sobre o conflito. Foi nesses livros que vi, chocado, a fotografia de uma estrada, nas Ardennas, com tanques, caminhões e canhões inutilizados, enfilerados em suas laterais; no leito, misturados à lama, afundados sob marcas de lagartas de veículos pesados, corpos de soldados. Hoje tenho muitos livros sobre a Guerra, incluindo alguns que têm fotografias mais terríveis que aquela. Outros, com narrativas e depoimentos que fazem a foto da estrada das Ardennas parecer um prosaico cartão postal!
       Mas, especificamente para quem quiser se aprofundar especificamente no tema "O Dia D", recomendo a leitura dos livros acima referidos e de "Dez Dias para o Dia D", de David Stafford (Ed. Objetiva), bem como os filmes "O Mais Longo dos Dias" (superprodução de 1962) e "O Resgate do Soldado Ryan", cujos primeiros quinze ou vinte minutos "se passam" na data do fato que hoje aniversaria e são do expectador perder o fôlego (o restante desse filme de 1998 é dispensável...).
      
       Agora, para a compreensão do fato maior, a IIª Grande Guerra, a sugestão é a de um livro fantástico: "Fumaça Humana - O Início da Segunda Guerra, O Fim da Civilização" (Companhia das Letras), de Nicholson Baker. 

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Die Kerb (O Cléber)


       Ao falarmos em Kerb nos recordamos imediatamente às festividades germânicas do sul do Brasil. É bastante comum no interior do Rio Grande do Sul ouvirmos a expressão "Baile de Kerb", mas muita gente não sabe o porque da festividade. Para entendermos um pouco sobre este festejo, vamos observar o que significa a palavra Kerb.
       "Die Kerb" ("Die" é um artigo que teria valor de "A") é a designação regional dos estados alemães do Hessen e da Renânia Palatinado para a vocábulo Kirchweih, que quer dizer "Inauguração da Igreja". O livro "KLEINES LEXICON DER BRÄUCHE FESTE UND FEIERTAGE", traz a palavra Kirmes como sinônimo de Kirchweih.
       Com base no mesmo livro, Kirmes tem origem na palavra Kirmesse e esta, por sua vez, de Kirchmesse. Se fossemos fazer uma tradução literal, Kirchmesse quer dizer "Missa da Igreja". A Festa da Kirmes é a Kirmesfest, ou em uma tradução um pouco forçada seria a "Festa da Missa da Igreja". A designação mais próxima do português é sonoramente parecida com Kirchmesse, que é a "Quermesse". Também é importante lembrar que esta mesma festa acabou recebendo outras denominações regionais alemãs, como "Kelb", "Kilbe", "Kirbe" (estes no dialeto suábio), "Kirwa", "Kirta" (na Baviera), entre outros.
       Esta "Quermesse Alemã" tem suas características próprios. É comemorada na data da inauguração solene do templo. Em algumas localidades esta festa já era feita anualmente desde o século IX. O Kerb era uma comemoração familiar e da aldeia. Estas se preparavam com semanas de antecedência, limpando suas casas e fazendo bolos. Na data, todos iam para a Kirmes utilizando trajes festivos.
       Hoje na Europa a festa deixou um pouco de sua ligação com a Igreja e tem mais um caráter de Festa Popular. Esta tem a possibilidade de ter feiras com coloridas estandes, bebidas diversas e assuntos variados.
       No Brasil, esta confraternização veio com os imigrantes alemães. Esta designação de Kerb, em comparação com os demais sinônimos, deve ter se firmado  devido a grande quantidade de imigrantes do Hunsrück, que vieram do atual estado da Renânia Palatinado.
       Nos antigos costumes dos imigrantes e descendentes, o Kerb era realizada realmente com base na data da inauguração da igreja local. Esta comemoração iniciava no domingo e encerrava na terça-feira, durando 3 dias. As famílias enfeitavam as casas e utilizavam roupas festivas. Nestes dias ocorriam bailes locais e visitas às casas. Com muita hospitalidade, a comunidade e familiares eram recebidos nos lares com de alimentos e bebidas.
       Em algumas regiões do RS é identificado o costume de se pregar com alfinetes fitas coloridas na lapela da roupa dos rapazes. Diz a tradição que o rapaz deveria receber uma fita por noite de Kerb, sendo um ponto positivo estar na terça-feira à noite com as três fitas na lapela.
       Na região sul do Brasil o Kerb já se incorporou como atividade característica das comunidades germânicas. Mesmo havendo a possibilidade de traduzir para "Quermesse", esta festa germânica muito se distingue da quermesse de origem lusitana e hispânica, muito comum no território latino americano. Esta palavra alemã já tem espaço próprio no vocabulário sulino.

       Mas assim como na Alemanha, o Kerb brasileiro já recebeu variações, ou por vezes se aplicou no Brasil as variações alemãs. Muitos utilizam como base a data da colocação da pedra fundamental da igreja. Outros a data do Santo padroeiro. Outra variação é a utilização da data de inauguração de alguma coisa ou emancipação da cidade. Além da questão do calendário, muitos condensaram as comemorações de 3 dias em 1, ou prolongaram durante semanas como festa oficial do municipal (estilo às Oktoberfest). Para muitos o simples fato de ser uma festividade germânica (ou parecida) já é motivo de se utilizar o nome de Kerb. Cada localidade passou a ter particularidades em suas atividades.
       Na internet podem ser encontradas outras explicações, sendo algumas interessantes ou bastante absurdas. Uma delas diz que esta festividade era exclusiva do RS, sem igual no resto do Brasil ou Alemanha. Outra sugestão apresenta-a como Festa da Colheita, tendo o nome surgido de "Korb", que em alemão quer dizer "cesto". Entretanto é importante que se busque o fundamento para tais justificativas, para que não se formule teorias com base somente na coincidência de vocábulos ou na pura falta de informação.


Texto de Denis Gerson Simões (com auxílio de pesquisa e tradução de Tatiani Fiegenbaum e Verônica Kühle), publicado em http://www.porta25.com/  e "garimpado" pelo Andrey, lá no Planalto Central.
      
       Aqui em Pelotas já é tradicional, a cada novembro, o Kerb do 15 de Julho - o clube dos alemães, lá nas Três Vendas.
       Houve época em que andamos indo ao tal kerb, mesmo contrariando a vontade da minha mãe. Ela, que nos anos 50 foi professora no interior, na teotônica Colônia Santa Silvana, sempre disse que nas festas, a alemoada se embebeda e acaba abrindo a bragueta e mijando, sem cerimônia, na frente do salão.
       Na última vez que eu e a Fernanda fomos ao kerb, ficamos mais de uma hora no acostamento da Av. Fernando Osório (onde fica o 15), numa imensa fila, para ingressar no clube. A Fernando Osório é a avenida de entrada na cidade, uma espécie de sequência da BR-116, com um baita movimento de carros e caminhões que, naquela ocasião, passavam rentes a nós e aos outros que estavam na "bicha".
       Quando já estávamos próximos do portão, estourou uma confusão, causada por uns espertinhos que pretendiam "furar" a festa. O rebuliço só foi desfeito pela intervenção dos "gentis" brigadianos montados, que botaram seus cavalos por cima do pessoal mais exaltado. E foi aí que uma pedrinha acabou entrando num dos olhos da Fernanda. E não teve jeito de sair, nem com aquele assoprão. Fomos embora, em busca de um colírio. Adeus kerb! 
       Nunca mais voltamos à festa do 15.
      Tudo bem, lá tem muito alemão bebaço mijando na porta mesmo. 

É doce morrer no mar

- Uau, que rabão!
- Sai fora... eu sou espada!!!

quarta-feira, 1 de junho de 2011