segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Há 50 anos

       28 de agosto de 1961. Porto Alegre estava sob a ameaça de iminente bombardeio aéreo, já determinado pelo então Ministro da Guerra, Marechal Odylio Denys. Milhares de pessoas, mesmo cientes disso, continuaram a acorrer à Praça da Matriz, às portas do Palácio Piratini. Dali, do porão do palácio, o Governador Leonel Brizola dirigiu-se  aos "patrícios de todo o país, da América Latina e de todo o mundo", através da Rede da Legalidade. Brizola (metralhadora à tiracolo) finalizou assim a transmissão radiofônica:

"Povo de Porto Alegre, meus amigos do Rio Grande do Sul! Não desejo sacrificar ninguém, mas venham para a frente deste Palácio, numa demonstração de protesto contra essa loucura e esse desatino. Venham, e se eles quiserem cometer essa chacina, retirem-se, mas eu não me retirarei e aqui ficarei até o fim. poderei ser esmagado. Poderei ser destruído. Poderei ser morto. Eu e minha esposa e muitos amigos civis e militares do Rio Grande do sul. Não importa. Ficará o nosso protesto, lavando a honra desta Nação. Aqui resistiremos até o fim. A morte é melhor do que a vida sem honra, sem dignidade e sem glória. Aqui ficaremos até o fim. Podem atirar. Que decolem os jatos! Que atirem os armamentos que tiverem comprado à custa da fome e do sacrifício do povo! Joguem essas armas contra este povo. Já fomos dominados pelos trustes e monopólios norte-americanos. Estaremos aqui para morrer, e necessário. Um dia, nossos filhos e irmãos farão a independência do nosso povo!"

Haja colhões!

       Abaixo, colhidos  no YouTube, um documentário feito pelo PDT em 2001 sobre a Campanha da Legalidade (desdobrado nos dois primeios vídeos), e entrevista de Brizola sobre imagens de Porto Alegre durante o clamor cívico, há meio século.

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