domingo, 6 de dezembro de 2015

meu amigo Aldyr Rosenthal Schlee (por meu amigo Ângelo Alfonsin)

meu amigo Aldyr Rosenthal Schlee
como todo criativo
é Bipolar Flexível
tem na ponta da língua
a frase de ponta agudíssima
que corta a situação em postas
os envolvidos que revolvam-se
Tom Waits e Tom Zé
dão o tom para Aldyr cantar
hay que endurecerse sin perder
o humor jamais
sempre foi original
quando eu
a torcida do Brasil de Pelotas
e
o resto do mundo virávamos a cabeça
para acompanhar o voo
do Led Zeppelin
a cabeça de Aldyr girava como um globo
sobre as pistas
quando Donna Summer cantava
rainha de todas as noites de lobisomem
e garagens dos 70
o talento e paixão pelo futebol
de mesa
transformou-o em um zagueiro clássico
um Oscar 78
na primeira partida do campeonato
da Faculdade
levamos 4x1 do time em que todos
atletas na vida civil usavam óculos
logo meu ego cego batizou
de Sociedade Esportiva Lente de Contato
contato perdido com a realidade
era meu tato
entrei de salto 15 com lamê
um Mário Alberto Kempes enfeitado
com bola de Zanata
o olho de lince de Aldyr sacou-me
em surdina
como quem retira aquele botão
que salta sobre a bola e antes
de estatelar-se segura-o em plena
queda
fomos campeões fui nomeado
gerente do banco de reservas
e
ganhei um novo amigo
aquele mesmo de sempre
que jamais consegue deixar
de ser
novo

Aedes aegypti


BF: em tempos de chikungunya e o escambau, ficou "bunitinho"...

sábado, 5 de dezembro de 2015

Mobilidade

Como a Angélica,
vou de táxi.
Uber, para mim,
é coisa de vaca.


domingo, 15 de novembro de 2015

Nosso amigo Ângelo

O Ângelo não existe
Sempre longe, mas sempre perto
Quando chega, já está indo
Nunca come (às vezes, um chocolate)
Alimenta-se de poesia
Vive dos dribles do Mané, dos gols do Pelé
Beatles, Rolling Stones e Paco de Lucia


domingo, 25 de outubro de 2015

Domingão

motocas empinadas & carros rebaixados
 insulfims & isopores
 cadeiras de praia & termos de mate
 sertanejos & universitários
Deu pra ti,
Dom Joaquim Ferreira de Melo!

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Lenda (meio) viva

Da Casa da Borracha ao Padilha, do Comercial ao Rei da Música, reinava o Lobisomem. Assim, a chance da gente se encontrar com o Lobisomem no Pão Gostoso, bem no centro da cruz formada pela Quinze e a Neto, era enorme.
 
O Lobisomem assombrou a infância dos meus primos, o Carlos e o Alexandre, sempre encarregados da difícil missão de buscar o "cacete de meio" de todo dia na saudosa padaria.
 
Eu nunca fui achacado pelo Lobisomem. Precavido, sempre evitei dividir a calçada com ele. À lenda se devia o adequado respeito!
 
Domingo, no campo do Brasil, um pipoqueiro se aproximou de nós. Eu e o Carlos percebemos ao mesmo tempo: era ele! E compramos pipocas do Lobisomem.
 
O Lobisomem tem um metro e meio de altura, muitas rugas e poucos dentes.
 
É, Carlos, o Lobisomem existe. Mas não existe mais!


Eis o Lobisomem, na interpretação de Robert "Galeto" Crumb (Marcelo Schlee Gomes). O Galeto é meu primo, irmão do Carlos e do Alexandre. Como é mais novo que nós, não teve qualquer "enfrentamento" com a lenda. Mal conheceu o Pão Gostoso.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015