domingo, 13 de dezembro de 2015

Pombinhos (Aldir Blanc*)

Pombinhos


Olha os vizinhos
Tás afim?
comigo ninguém fala assim!
Ou tu conversa feito gente
ou depois vais dar por falta
de um ou dois dente,
Pomba! Igualzinha a tua mãe
Vê se te manca!
Afinal, temos dois anos de casado.
E fim de papo. Tamos conversado.
Eu gosto da Marlene
e tu não gosta.
Agora, pomba, 
arranca o facão das minhas costa.

*Morri de rir ao reler parte de "Rua dos Artistas e Transversais", do genial Aldir Blanc. Apesar de ser basicamente um livro de crônicas (ou melhor, a reunião de dois livros, e de mais outras crônicas publicadas nO Pasquim), tem "coisas" como essa aí - parecidas com letras de músicas de autoria dele e "imortalizadas na voz" de João Bosco. Minha intenção, ao procurar o livro do xará, era confrontar uma crônica dele, que se desenrola durante uma festa familiar em plena Vila Isabel, com as recomendações da nossa célebre Célia Ribeiro na ZH a respeito de comportamento em festividades natalinas. Não achei tal crônica. Ainda. Ela existe, eu sei. 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Imagine!

Diário Popular de terça-feira, 8.12.15, página 20:

"Na madrugada de ontem, um jovem de 22 anos foi morto a tiros durante uma festa, no 4º distrito, na Zona Rural, a cerca de 50 quilômetros do centro de Pelotas. John Lenon Nunes Braga foi alvo de quatro disparos."

Zero Hora de terça-feira, 8.12.15, página 44:

"Hoje na História - É assassinado, em Nova York, aos 40 anos , o músico britânico John Lennon, em 1980."

§§§ 

Como cantou Walter Franco, "existe John, existe João"...

domingo, 6 de dezembro de 2015

meu amigo Aldyr Rosenthal Schlee (por meu amigo Ângelo Alfonsin)

meu amigo Aldyr Rosenthal Schlee
como todo criativo
é Bipolar Flexível
tem na ponta da língua
a frase de ponta agudíssima
que corta a situação em postas
os envolvidos que revolvam-se
Tom Waits e Tom Zé
dão o tom para Aldyr cantar
hay que endurecerse sin perder
o humor jamais
sempre foi original
quando eu
a torcida do Brasil de Pelotas
e
o resto do mundo virávamos a cabeça
para acompanhar o voo
do Led Zeppelin
a cabeça de Aldyr girava como um globo
sobre as pistas
quando Donna Summer cantava
rainha de todas as noites de lobisomem
e garagens dos 70
o talento e paixão pelo futebol
de mesa
transformou-o em um zagueiro clássico
um Oscar 78
na primeira partida do campeonato
da Faculdade
levamos 4x1 do time em que todos
atletas na vida civil usavam óculos
logo meu ego cego batizou
de Sociedade Esportiva Lente de Contato
contato perdido com a realidade
era meu tato
entrei de salto 15 com lamê
um Mário Alberto Kempes enfeitado
com bola de Zanata
o olho de lince de Aldyr sacou-me
em surdina
como quem retira aquele botão
que salta sobre a bola e antes
de estatelar-se segura-o em plena
queda
fomos campeões fui nomeado
gerente do banco de reservas
e
ganhei um novo amigo
aquele mesmo de sempre
que jamais consegue deixar
de ser
novo

Aedes aegypti


BF: em tempos de chikungunya e o escambau, ficou "bunitinho"...

sábado, 5 de dezembro de 2015

Mobilidade

Como a Angélica,
vou de táxi.
Uber, para mim,
é coisa de vaca.


domingo, 15 de novembro de 2015

Nosso amigo Ângelo

O Ângelo não existe
Sempre longe, mas sempre perto
Quando chega, já está indo
Nunca come (às vezes, um chocolate)
Alimenta-se de poesia
Vive dos dribles do Mané, dos gols do Pelé
Beatles, Rolling Stones e Paco de Lucia


domingo, 25 de outubro de 2015

Domingão

motocas empinadas & carros rebaixados
 insulfims & isopores
 cadeiras de praia & termos de mate
 sertanejos & universitários
Deu pra ti,
Dom Joaquim Ferreira de Melo!