terça-feira, 31 de maio de 2011

Meu boi barroso

Muuuuuu!
       Conforme notícia publicada hoje no Jornal do Comércio, os pecuaristas gaúchos estão muito descontentes com o quilo do boi-gordo.
      Segundo a matéria, os criadores locais descobriram que, na verdade, o quilo do boi-gordo está com 1.235 gramas. Atribuem a responsabilidade por essa diferença ao Inmetro, a quem acusam de tratar o assunto com um peso e duas medidas.
       Ouvida a respeito, a direção do Inmetro esquivou-se de qualquer culpa, repassando esta à Balança (Filizolla) Comercial - que foi flagrada com um imã sob um de seus pratos.
     Os pecuaristas asseguram que, para evitar mais prejuízos, recorrerão até as últimas estâncias.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Surfista calhorda

       Demonstram as cartas encontradas pela polícia durante a investigação do homicídio de Zeca Bezerra que o assassino, Alemão Caio, é reincidente.
       Quando escreveu as tais missivas, mostradas pela RBS, ele já tinha cometido um atentado contra a Língua Portuguesa. 

O triângulo que originou a tragédia no litoral gaúcho.
Zeca Bezerra, Ivanise e Alemão Caio

One Flew Over the Cuckoo's Nest

       Na recente convenção do PSDB as diversas alas partidárias acabaram aceitando a composição que reelegeu Sergio Guerra para a presidência da sigla.
       Antes, porém, houve um certo mal-estar. Enquanto discursava defendendo a descriminalização da maconha, o ex-Presidente da República Fernando Henrique Cardoso foi veementemente aparteado por Aécio Neves, que o questionou:
       " - Mas baseado em quê?"

      
       É que o mineirinho representa outra corrente no seio da agremiação: a dos bio-eco-alternativos, contrários à fumaça e defensores dos motoristas à álcool.
       A tendência "Carequinha e Sem-sal", de Serra e Alkmin, preferiu manter o bico (do tucano) calado. 

Gatas

No café-da-manhã
das jovens modelos
até o bule mia.

domingo, 29 de maio de 2011

Marianne Faithfull

       Está confirmada a presença da cantora, compositora e atriz britânica Marianne Faithfull no 18º Porto Alegre Em Cena, que acontecerá na capital entre os dias 6 e 27 de setembro. Sua apresentação será nos dias 16 e 17, no Bourbon Country.
       Com 64 anos de idade e 47 de carreira, Marianne foi musa inspiradora dos Beatles e dos Rolling Stones, namorou alguns deles (além de Bob Dylan e David Bowie!) e acabou sucumbindo à morfina (o que a tirou do ar por algum tempo). Retornou com força total em 1979, com o disco Broken English, que foi aclamado pela crítica, mas que não rendeu, entretanto, sucesso comercial. O mesmo aconteceu com Strange Weather , de 1987, considerado um de seus melhores trabalhos. 
       A propósito, Stranger Weather encontra-se na relação dos "1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer" (editado por Robert Dimery, pela Sextante). No livro, o texto a respeito do disco (e de Marianne) é do produtor inglês Bruno MacDonald:     

Broken English

       "Ela podia ter sido a mãe de Sid Vicious - literalmente. Depois de uma década desnorteada pelas drogas, Marianne Faithfull decidiu não aparecer no filme dos Sex Pistols, The Great Rock'N'Roll Swindle, mas canalizar sua fúria movida a punk para um álbum.
       A energia e a objetividade do punk foram uma influência direta em Faithfull. musicalmente, Broken English não tem nada a ver com sua linhagem - os Rolling stones e as bonitas baladas que a tornaram famosa. No álbum, o que há é a pulsação eletrônica de "Broken English", o blues espacial de "Brain Drain" e o soul branco de "Guilt".
       "Working Class Hero" é gelada, mas eletrizante, com vocais imperiosos que soam mais parecidos com o riso irônico de Maria Antonieta do que com a amargura do homem do povo do original de Lennon. "The Ballad Of Lucy Jordan" é uma mistura de melancolia com uma melodia que pereceria do Abba, não fossem os vocais selvagens.
       Mas a faixa que faz Broken English continuar essencial é "Why D'Ya Do It". Baseada num poema do dramaturgo Heathcote Willians, está repleta de guitarras no estilo de Robert Fripp. A estrela é Marianne: fora de si pela infidelidade de seu amante, ela varia o tom entre Patti Smith e Grace Jones para vociferar uma letra na qual o verso "Why'd you spit on my snatch?" está longe de ser o mais desagradável.
       O álbum foi o ponto de partida para a recuperação de sua carreira, que levou a obras-primas como Strange Weather, de 1987. Mas nem quando cantou com o Mettalica ela deixou o público de queixo caído como em Broken English.
       Eu só vim a "conhecê-la" quando vi o filme "Montenegro, Pérolas e Porcos" (1981), dirigido pelo iuguslavo Dusan Makavejev, com Susan Anspach, Erland Josephson e Svetozar Cvetkovic). A abertura desse filme muito louco (meu "cult") é conduzida por  "The Ballad Of Lucy Jordan", cantada "roucamente" por Marianne Faithfull (aliás, sobrinha-bisneta do barão Leopold Ritter von Sacher-Masoch, escritor austríaco cujo nome deu origem ao termo “masoquista” por causa de sua novela erótica A Vênus das Peles, de1870).
      

        Eu vou de chapéu de palha! 

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Maracangalha

         No tempo em que eu era pequeno, tínhamos uma eletrola Hot Point. Havia em casa muitos discos de poesia (com declamações dos melhores poemas de Fernando Pessoa, Nicolás Guillén, Jorge de Lima, Vinícius de Moraes, Manoel Bandeira, Cecília Meireles, que o pai usava nas aulas dele, de português e literatura) e poucos de música.
       Quando foi comprada a eletrola, de brinde ganhamos um disco do cantor Miltinho. Também havia a indispensável Misa Criolla (com Los Fronterizos) e as peças engajadas "Arena Canta Zumbi" e "Opinião". Não sei por que, junto com esses, estavam o primeiro LP do Martinho da Vila; um esquisito, cujo título era "Besame Pepita"; o do filme "Mondo Cane" (que começava com uma cachorrada latindo) e uma coletânea, as "14 mais" (com um foguete na capa, que tinha a faixa "Green Leaves of Summer").       
       Lembro-me, ainda, do disco da "Banda do Canecão"; dos três do inigualável "3º Festival da Música Popular Brasileira" (de 1967, com "Ponteio"; "Alegria, Alegria"; "Domingo no Parque"; a vaiada "Beto Bom de Bola" e muitas mais); os quatro da "Música Popular do Nordeste", do selo Marcus Pereira; um preto, do Mitch Miller e, por fim, um bolachão dos Platters.  The Platters!
       Eles mesmos, o grupo vocal americano que se consagrou, nos anos 60, com "Only You", "Smoke Gets in Your Eyes", "Harbour Ligths", "The Great Pretender" e tantas outras e que vem a Pelotas no próximo domingo. Vai se apresentar no Guarany. Claro que com uma "nova formação" (a esta altura, provavelmente a 90ª formação!) .

      
     Convidei a Fernanda para irmos. Ficou surpresa... e declinou do convite!
   Então, só me resta recordar o bom-baiano Dorival Caymmi:

Se Anália não quiser ir, eu vou só
Eu vou só
Eu vou só sem Anália, mas eu vou! 

O pai dos escoteiros (por Eduardo Galeano)*

Baden-Powell by Andy Warhol
          Arthur Conan Doyle recebeu o título de sir, e não por causa dos méritos de Sherlock. O escritor ingressou na nobreza pelas obras de propaganda que havia escrito a serviço da causa imperial.
       Um de seus heróis era o coronel Baden-Powell, fundador dos Boy Scouts, os escoteiros. Ele o havia conhecido combatendo contra os selvagens africanos.
       - Havia sempre alguma coisa de esportista em sua aguda apreciação da guerra - dizia sir Arthur.
       Habilidoso na arte de rastrear pegadas alheias e apagar as próprias, Baden-Powell havia praticado exitosamente o esporte da caçada de leões, javalis, veados. zulus, ashantis e ndebeles.
       Contra os ndebeles tinha livrado uma dura batalha na áfrica do Sul.
       Morreram duzentos e nove negros e um inglês.
       O coronel levou de lembrança o corno que o inimigo soprava para soar o alarme. E esse corno em espiral, de antílope kudu, foi incorporado aos costumes dos escoteiros, e passou a ser o símbolo dos rapazes que amam a vida saudável.

* extraído do livro Espelhos - Uma História Quase Universal (L&PM Editores)

- Diz pro tio Baden: em buraco de paca, tatu caminha dentro?
- Que isso titio, num vem bullyingná, não! 

       Ah, a vida saudável! Banho de cachoeira com os lobinhos, ensinar a petizada a armar a barraca... Chefe escoteiro é que nem padre católico e treinador de escolinha de futebol, sempre disposto a ajudar a garotada.