segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

BF: dois anos

Neste 21 de janeiro este blog completa seus dois anos de existência, com mais de (surpreendentes) 60 mil acessos.
Coube à Flor - criadora do título e autora do desenho do cabeçalho - ilustrar a postagem comemorativa da data.
Obrigado geral! 

Posse II de Obama, a Missão


Chegou a hora dessa gente bronzeada
mostrar seu valor
(e que se dane o politicamente correto)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O que nos faz decidir a ficar com alguém (por Fabrício Carpinejar*)

     O que nos leva a querer passar a vida inteira com alguém é um mistério.
     Você pode fazer a lista infindável do que mais gosta de sua companhia e do que menos gosta, mas nenhuma vai incluir a chave do relacionamento.
     É um gesto, uma atitude, uma frase, algo que o toca em particular, que fecha com aquilo que procurava inocentemente desde pequeno.
     Meu amigo Felipe se apaixonou pelo jeito que a Fernanda colava o brinco quebrado com bonder, mas ele não desconfia até hoje que foi isso.
     Casou com ela depois de vê-la consertando a minúscula joia debaixo do abajur.
     Ele briga, discute, discorda da esposa, porém jamais vai se separar. Essa cena despertou uma necessidade incurável da presença dela.
     É o motivo do apego irascível. Existiu um quebranto, uma hipnose afetiva, talvez ele tenha se projetado no brinco (ela tentará me salvar quando me quebrar), talvez tenha se enamorado das suas concentradas mordidas de lábios.
     O que posso garantir é que Felipe ficou alucinado de ternura: naquele momento decidiu que ela era a mulher de sua vida. Em seu sangue, gravou o rosto da jovem empenhada em salvar o brinco. Com o piscar das pálpebras, tirou a fotografia fundadora do seu amor, um sudário que preservará seu sentimento toda manhã.
     Ele mal sabe que o real motivo de sua emoção está no plastimodelismo da infância. É bem capaz de nunca descobrir.    

     Quando enfrentou catapora aos 10 anos, Felipe suportava sua solidão montando aviões. Grudava as pequenas peças de plástico com cuidado para não borrar a cola e estragar o encaixe. O brinco tornou-se mais um de seus aeroplanos.
     Já vi gente que se uniu pelo modo de dobrar o guardanapo, pelo modo de morder uma fruta, pelo modo de gritar de susto, pelo modo de amarrar os cadarços.
     Uma observação mínima acorda o inconsciente para sempre.
     Quanto maior o amor, mais insignificante a origem.
     Aceitaremos o cotidiano a dois sem determinar o porquê. Nossa decisão está baseada apenas na intuição. Um movimento nos ofereceu segurança para seguir em frente e aceitar o relacionamento.
     Minha namorada tampouco supõe o começo de sua paixão por mim.
     Inacreditavelmente, ela me ama pela forma em que tiro a camiseta. Com ambas as mãos, pelas costas, agarrando o tecido pela gola.
     Ela acha o gesto protetor, viril, maiúsculo.
     As mulheres se despem pela frente, de baixo para cima, levantando a blusa devagar e ritmado.
     Como a maior parte dos homens, sou abrupto. Puxo a camiseta com força, livro-me dela, como um animal arrancando a pele.
     Chega a ser cômico. E eu pensava que havia conquistado sua afeição com poemas.

*Crônica publicada na Zero Hora de segunda-feira passada.

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Embora ache o Carpinejar, pessoalmente, meio "exibido", gosto das coisas que ele escreve. Tudo muito dolorido, mas cheio de sentimento.
Essa crônica, em especial, me fez lembrar de uma guria, colega de segundo grau da Sylvia, minha irmã. Como as duas se tornaram muito amigas, a tal guria passou a frequentar a nossa casa. E, certo dia, me chamou a atenção a forma como ela passava manteiga no pão. Sentada à mesa do café da tarde, com a pontinha da faca espalhava quantidade mínima de manteiga em pedaço pouco maior de pão, levando-o à boca em seguida. Repetia muitas vezes aquilo, sem pressa, enquanto conversava. Tudo muito feminino, delicado, devagarzinho... 
Mais de vinte anos depois, ela segue o mesmo ritual. Eu ainda noto e me encanto quando a Fernanda faz isso. 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Que chato!

Noticiou o site Bloomberg que os minúsculos piolhos que habitam os pelos pubianos dos seres humanos (conhecidos pelo nome científico Phthirus pubis) estão em vias de desaparecimento. Isso mesmo, eles  passaram a integrar a lista dos "em extinção" encabeçada pelo mico leão dourado, pelo lobo guará cinzento e pela cacatua do rabo fúcsia. A responsabilidade por isso é atribuída pela comunidade científica a um costume relativamente recente: a "depilação íntima" (parcial ou completa), que teve origem nestas paragens brasileiras e que se espraiou ocidente afora. 

É que o "desmatamento" das áreas pubianas vem acabando, gradual mas aceleradamente, com a existência  do habitat desses bichinhos, responsáveis pela pediculose pubiana, uma das mais comuns doenças sexualmente transmissíveis (chegando a causar, no auge de sua histórica carreira, coceira e constrangimento a 10% da população do planeta azul).

Informa o Bloomberg que na Austrália, desde 2008, não são registrados casos de piolhos pubianos em mulheres, bem como que, entre os homens, na década passada, houve uma redução de 80% na incidência. Lá, portanto, na atualidade, de acordo com cálculos do matemático Oswald de Souza, há mais probabilidade de encontrar-se um coala entre as pernas de uma moçoila aussie do que uns piolhinhos.

Nos Estados Unidos, a "febre" da  depilação corpórea teve início em 1994, quando as irmãs capixabas Jonice, Jocely, Janea, Joyce, Jussara e Judeseia Padilha abriram o J Sister Salon, que se especializou em fazer barba, cabelo e bigode nas partes pudentas dos famosos de Nova York e arredores.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Walking dead

Está feia a coisa no Balneário dos Prazeres. A edição local do Jornal do Almoço de hoje levou ao ar matéria gravada no fim-de-semana passado no nosso popular "Barro Duro". Primeiro foram entrevistados alguns frequentadores (com as tradicionais perguntas e respostas óbvias sobre "o bom de estar na praia" - "pertinho do mar", segundo uma veranista e um salva-vidas). No final, no entanto, a pauta deu ênfase aos problemas encontrados, especialmente quanto à sujeira, à colocação de lixo em lugares inapropriados. Foi quando uma senhora informou à repórter: "Hoje passou um cachorro morto por ali!"

Chico Xavier

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Dia do Astronauta

Hoje, 9 de janeiro, é o Dia do Astronauta. É verdade! Descobri na Zero Hora que o 9 de janeiro, além de ser consagrado aos santos Adriano, Félix, Vidal e à santa Marciana, no Brasil também é destinado a homenagear os astronautas. "Os astronautas" é modo dizer; "o astronauta" é mais apropriado, na medida que a homenagem decorre do fato do brasileiro Marcos Pontes, em 2006, ter participado, durante dez dias, de missão que levou astronautas de diversas nacionalidades à Estação Espacial Internacional.
     
Aliás, depois dessa histórica missão, "o primeiro brasileiro no espaço" teve de enfrentar outras muito mais indigestas, como, por exemplo, participar do programa do Serginho Groissman, (inclusive fardado de astronauta).

Eu, particularmente, aproveito o ensejo para prestar particularíssima homenagem: ao Roberto Astronauta, meio-campista que jogou no Grêmio Esportivo Brasil em 1977, tendo sido figura destacada no inesquecível Torneio Seletivo (disputado em melhor de três contra o Pelotas) e que conduziu o clube Xavante ao seu primeiro Campeonato Nacional. O craque veio do Cruzeiro de Porto Alegre, no qual formava, no meio, a surreal dupla "Trouxinha e Astronauta".

Astronauta (na ilustração, em antigo e preciso desenho de meu pai) continua em plena atividade no meu time de futebol de mesa, ostentando - em que pese a titularidade inconteste - a jaqueta número 18. Firme, no miolo, com Paulo Ferro e Cacau.

O futebol de mesa, como veem, permite a quem o pratica viajar no tempo e no espaço (sem que se mereça homenagem em 9 de janeiro).