quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

La demonización de Chavez (por Eduardo Galeano*)

Hugo Chávez es un demonio. ¿Por qué? Porque alfabetizó a 2 millones de venezolanos que no sabí...an leer ni escribir, aunque vivían en un país que tiene la riqueza natural más importante del mundo, que es el petróleo. Yo viví en ese país algunos años y conocí muy bien lo que era. La llaman la "Venezuela Saudita" por el petróleo. Tenían 2 millones de niños que no podían ir a las escuelas porque no tenían documentos. Ahí llegó un gobierno, ese gobierno diabólico, demoníaco, que hace cosas elementales, como decir "Los niños deben ser aceptados en las escuelas con o sin documentos". Y ahí se cayó el mundo: eso es una prueba de que Chávez es un malvado malvadísimo. Ya que tiene esa riqueza, y gracias a que por la guerra de Iraq el petróleo se cotiza muy alto, él quiere aprovechar eso con fines solidarios. Quiere ayudar a los países suramericanos, principalmente Cuba. Cuba manda médicos, él paga con petróleo. Pero esos médicos también fueron fuente de escándalos. Están diciendo que los médicos venezolanos estaban furiosos por la presencia de esos intrusos trabajando en esos barrios pobres. En la época en que yo vivía allá como corresponsal de Prensa Latina, nunca vi un médico. Ahora sí hay médicos. La presencia de los médicos cubanos es otra evidencia de que Chávez está en la Tierra de visita, porque pertenece al infierno. Entonces, cuando se lee las noticias, se debe traducir todo. El demonismo tiene ese origen, para justificar la máquina diabólica de la muerte.

*Eduardo Galeano é... Eduardo Galeano!



"Os venezuelanos têm o direito de decidir, se confirmada a ausência do presidente eleito, se querem continuar sob o poder absoluto do chavismo ou finalmente buscar novos rumos para o país."

Esse é o parágrafo final do editorial da Zero Hora de hoje. Engraçado como o editor esquece, deliberadamente, que o tal "poder absoluto do chavismo" é decorrente de... eleições!.

O "demonizado" Hugo Chávez, esconde o editor, foi - não faz muitos meses - reeleito para mais um mandato na presidência da Venezuela. Antes, havia sido eleito e... eleito mais outra vez! Além do mais, a ZH não aponta quais devem ser os tais "novos rumos" da Venezuela pós-Chávez. Seriam os do alinhamento ao "irmão no norte"?

A propósito, vale a pena observar, a cada Jornal Nacional, a expressão facial da "jornalista" Délis Ortiz (enviada da Rede Globo a Caracas para a cobertura da "crise venezuelana"). Enquanto interpreta definitivamente questões acerca da constituição daquele país, deixa escancarada a solução (da Rede Globo) para o impasse: "marines, come on!".

Elvis, que mora em Bagé, hoje completa 78 anos (por Luis Carlos Vaz*)

     Elvis Aaron nasceu gêmeo com Jessie Garon em 8 de janeiro de 1935. Jessie não chegou a ver a luz deste mundo. Esse fato foi suficiente para que ele desenvolvesse laços muito fortes com a mãe – e a família, até porque o irmão gêmeo, nascido morto 35 minutos antes dele, proporcionou uma enorme expectativa quanto ao nascimento do segundo gêmeo, Elvis Aaron que, para alegria de todos, nasceu forte e saudável.

     Criado como membro da igreja Assembleia de Deus, lá desenvolveu o gosto pelo canto e aprendeu muito sobre música. Mas Elvis, com seu divino dom musical, não dedicou-se à música na igreja, e já em 1956 ficou famoso gravando Love me tender, sucesso até hoje. Elvis foi o símbolo rebelde da geração do pós-guerra. No exército americano foi usado como imagem de “rapaz certinho” em propagandas e em filmes. E isso não mudou sua verdadeira vocação que era a de ser o Rei do Rock. Mas o fato é que as moçam enlouqueciam e perdiam a voz de tanto gritar em seus inúmeros shows pelo mundo afora. Seu modelo de corte de cabelo foi copiado por milhares de rapazes em todo o planeta (e fora dele) e o seu modo de vestir e cantar criou estilo entre todas as bandas que queriam fazer uma performance parecida com a do Rei do Rock and Roll.

     Mas isso tudo cansa. Afinal foram décadas de carreira, gravações, filmes, estúdios, assédio de fãs... Chega um ponto em que todos querem sossego. E com Elvis foi assim. Noticiaram sua morte em 16 de agosto de 1977 e Elvis se recolheu. Sumiu. Nunca mais apareceu. Contam que já foi visto na Jamaica, na Índia, no Turquistão... mas nós, que somos de Bagé, conhecemos um velhinho simpático, ainda meio cabeludo, que seguido é visto passeando pela Avenida Sete. Ele procura ser discreto, não chamar a atenção das pessoas. É o Elvis. Sim, o Elvis Presley. Não acreditam? Elvis não morreu! Vive e mora em Bagé, numa modesta casa (para não chamar a atenção...) ali perto da Vila Kennedy.

     Vizinhos contam que seguidamente, em noites de verão, é possível ouvi-lo cantar. Ele já não tem mais a mesma força na voz, dizem essas pessoas - afinal, completou 76 anos agora em janeiro, mas interpreta com a mesma emoção sua canção preferida – e nossa também - My Way.

     É, parece mentira. Mas Elvis não morreu mesmo. Mora em Bagé, afinal, que lugar melhor ele poderia escolher?

(*) Texto publicado pelo Vaz originalmente em 16 de agosto de 2011 (e republicada ontem, dia do aniversário de Elvis Presley) no blog velhaguardacarloskluwe.blogspot.com.br .

Verão


Para "abrir os trabalhos" deste 2013
que começa com calor e muita preguiça,
 uma composição fotográfica da Flor.

domingo, 30 de dezembro de 2012

2013

FELIZ 2013

A TODOS OS SEGUIDORES E LEITORES (FIEIS OU EVENTUAIS) DESTE BIPOLAR FLEXÍVEL
Amor, saúde e tranquilidade no ano que se aproxima!

Disposición final (por Marcos Rolim*)


"Digamos que eram sete ou oito mil pessoas que deveriam morrer para que ganhássemos a guerra contra a subversão. Não podíamos fuzilá-las. Tampouco podíamos levá-las à justiça". Com estas palavras, o general Jorge Rafael Videla começou a responder as perguntas do jornalista Ceferino Reato, na cela 5 da prisão federal de Campo de Maio, em Buenos Aires, onde ficará até o fim de sua vida. A entrevista, obtida entre outubro de 2011 e março de 2012, foi publicada no livro Disposición Final: la confesion de Videla sobre los desaparecidos (Sudamericana, 316 pg) que reúne, também, outros testemunhos. Para uma ideia de como o trabalho foi recebido na Argentina, recomendo o programa da TV C5N com o autor e com Estela Carlotto (das Avós da Praça de Maio), disponível em http://migre.me/cyZJt

Trata-se de material imprescindível para se compreender a história do fascismo na América Latina e para se pensar sobre porque esta ideologia se tornou tão influente nas Forças Armadas e nas elites econômicas da região. Aos 86 anos e sem a possibilidade de anistia, Videla resolveu falar. Assinala que "não está arrependido e que dorme tranquilo". A entrevista, na verdade, foi uma tentativa de justificar a tortura e os assassinatos com base no argumento do "mal menor", o mesmo, aliás, empregado pelos fascistas brasileiros. Para o general ultracatólico, já condenado a duas penas de prisão perpétua, o golpe queria "disciplinar uma sociedade anarquizada e conduzi-la para uma economia liberal"; uma receita que também não é estranha aos brasileiros acostumados à propaganda anti-Estado financiada pelos ricos.

Entre outras revelações, Videla conta que os militares elaboraram _ com o auxílio de empresários e lideranças civis _ uma lista com milhares de nomes de "subversivos", ainda antes do golpe de 24 de março de 1976. Seus integrantes seriam sequestrados e conduzidos a "interrogatórios" clandestinos. Os chefes militares de cada uma das cinco zonas em que o país foi dividido tinham carta branca para identificar os "irrecuperáveis", decidindo sobre os métodos de desaparição dos corpos. Jogá-los em alto mar, enterrá-los em locais ermos ou queimá-los foram as opções mais comuns. Videla sustenta que a prisão não funcionaria, lembrando que os condenados por subversão no governo do general Lanusse foram libertados como heróis logo após a posse do peronista Héctor Cámpora, em maio de 1973. Sumir com os corpos era uma forma segura de matar sem ter que responder por isso, impedindo também que as pessoas soubessem o que estava acontecendo. Muito prático.

Disposición Final (DF) é, no linguajar da caserna, o código para peças que não têm mais serventia. Os que aplicaram este código a pessoas na Argentina estão, em número cada vez maior, sendo mandados para a cadeia. Os argentinos decidiram punir os carniceiros _ como se sabe. Falta apenas apontar os empresários e os membros da Igreja que, ao longo de todo o processo de torturas e execuções, participaram, financiaram e abençoaram o horror. Sem o apoio ativo destes grupos civis não haveria o genocídio.

*Artigo publicado na página 14 da Zero hora de hoje. Bem ao lado do texto intitulado "Fones de ouvido", do "arquiteto e pensador católico" Percival Puggina que, lá pelas tantas diz o seguinte:

"Um dos fascínios da vida, aqui de onde eu a vejo, é a possibilidade de ouvir o que os jovens falam e o que alguns dizem aos jovens. Nessa tarefa instigante de ouvir, comparar e meditar, volta e meia deparo com a afirmação de que os anos 60 e 70 produziram uma geração de jovens alienados. Milhões de brasileiros teriam sido ideologicamente castrados em virtude das restrições impostas pelos governos militares que regeram o Brasil naquele período. Opa, senhores! Estão falando da minha geração. Esse período eu vivi e as coisas não se passaram deste modo.

Bem ao contrário. Nós, os jovens daquelas duas décadas, éramos politizados dos sapatos às abundantes melenas. Ou se era comunista ou se lutava contra o comunismo. Os muitos centros de representação de alunos eram disputados palmo a palmo. Alienados, nós? A alienação sequer era tolerada na minha geração! Todo santo ano, o DCE da UFRGS comemorava como data nacional o aniversário da Revolução de Outubro (revolução bolchevique de 1917). Havia passeata por qualquer coisa, em protesto por tudo e por nada. Surgiu, inclusive, uma figura estapafúrdia _ a greve de apoio, a greve a favor. É, sim senhor. Os estudantes brasileiros dos anos 70 entravam em greve por motivos que iam da Guerra do Vietnã à solidariedade às reivindicações de trabalhadores. Havia movimentos políticos organizados e eles polarizavam as disputas pelo comando da representação estudantil. O Colégio Júlio de Castilhos foi uma usina onde se forjaram importantes lideranças do Estado. As assembleias estudantis e os concursos de declamação e de retórica preparavam a rapaziada para as artes e manhas do debate político. Na universidade, posteriormente, ampliava-se o vigor das atuações. O que hoje seria impensável _ uma corrida de jovens às bancas para comprar jornal _, era o que acontecia a cada edição semanal de O Pasquim, jornal de oposição ao regime, que passava de mão em mão até ficar imprestável."

Uau! Fiquei imaginando o quanto o "arquiteto e pensador católico" aproveitou a "minha geração". O quanto protestou, fez greve, debateu e... leu o Pasquim avidamente. Acho que o problema dele, em ter dado no que deu, foi o excesso de sexo, drogas e rock&roll, baby... 

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Tiros em Columbine (de novo e até a próxima...)

Hoje eu e a Nanda fomos almoçar no restaurante que frequentamos desde que casamos, portanto há 19 anos. Lá, somos "de casa", amigos dos donos e das funcionárias. Ocorre que, por esses azares da vida, fiquei sentado exatamente de costas para um cara que almoçava na mesa mais próxima. Não sei quem é (nem quero saber!). Só sei que, para os que o acompanhavam (e, pelo tom de voz dele, para todos os demais presentes no restaurante), defendeu a necessidade de se ter armas, repetindo o chavão: "desarmaram o cidadão de bem e deixaram o vagabundo armado!".

Fiquei com azia. 

Segundo a Agência Reuters noticiou nesta semana, em todo território dos Estados Unidos "feiras de armas" ficaram lotadas de gente interessada em comprar "armas de assalto". Temem que, em decorrência do mais recente massacre de crianças em uma escola  de Connecticut, sejam adotadas, por parte do governo, medidas que restrinjam ou até proíbam a comercialização desse tipo de armamento. Consta que longas filas se formaram por cidadãos decididos a levar para casa, mesmo que por valores elevadíssimos, rifles de repetição. Os estoques se esgotaram rapidamente.

Uma dessas armas, uma AR-15, foi utilizada por Adam Lanza para chacinar a própria mãe, professores e alunos da escola de Connecticut. A mãe do nerd psicopata era a proprietária dessa (e das pistolas) usadas pelo filho no dia 14 de dezembro. Tratava-se de armamento comprado pela Sra. Lanza da mesma forma que aquelas adquiridas por seus conterrâneos nesses dias pós-massacre (todas pessoas de bem, na definição do meu indigesto vizinho de almoço).

A National Rifle Association (fabuloso lobby da indústria armamentista yankee a favor "dos direitos de possuir armas") sugeriu - diante dos recentes acontecimentos por aquelas bandas -  que guardas armados sejam colocados em cada escola. Ideia bestial! 

Queima suco gástrico!



Conforme esclarece a Reuters, "arma de assalto" é a designação genérica de qualquer arma semiautomática ou automática capaz de efetuar múltiplos tiros rapidamente. Entre 1994 e 2004 algumas dessas armas de assalto e respectivos pentes de munição com mais de 10 balas eram considerados ilegais. Porém, sintomaticamente, tal proibição expirou na época em que George W. Bush estava na Casa Branca.

ET: na página em que achei a foto das "belezinhas aí de cima" (e que faço questão de aqui não indicar) li: "No mundo, existem países que são democráticos de verdade e onde o cidadão pode comprar o melhor instrumento para se defender e não são impostas limitações ingênuas e sem sentido, como a que limita os calibres em 38 ou 380. Nos Estados Unidos, por exemplo, o calibre 380, que no Brasil é a sensação das lojas de armas, é considerado o menor calibre que alguma pessoa pode usar com alguma eficiência, devido ao seu fraquíssimo poder de parada".
Está certo: foi assim que eles, da "maior democracia" começaram se "defendendo" dos índios...

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Os Maias (Essa não é de Queirós)

Sexta-feira, 11 e 35.
Dor nas costas.
Só eu e este teclado.
Minha cachorra ronca no sofá.
Restam-me os Sucrilhos 
(aqueles reservados para a subsistência
pós-fim dos tempos).
E talvez um Diazepan...

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