sexta-feira, 6 de julho de 2012

Versinho

Atirei um limão verde
de pesado foi ao fundo.
Os peixinhos responderam:
"- joga a mãe pra vê se quica!"

200


Fotografia do Alexandre Schlee Gomes.
Tão perfeita no conteúdo que dispensa qualquer legenda

Durante muitos anos moramos numa casa ali na Barão de Butuí, quase em frente à garagem do seu Vinholes, perto do Bar do Seu Bidoca. No lado da nossa casa havia o chalé da Vó Mira e, nos fundos, funcionava a oficina mecânica do Landinho. Num precário galpãozinho de madeira e chão batido, junto à oficina, morava o Nei, um negão grandão e forte, que era o ronda. O Nei  tocava na Garra Xavante e vivia numa merda bárbara. Uma noite, apareceu por lá, bêbada, a crioula do Nei, que fez o maior escândalo e quebrou o que apareceu na frente dela (eu imagino, porque só escutei o barulho da quebradeira). Depois que a porrada comeu solta entre eles, ouvi lá de casa o Nei urrar para a mulher: "eu te amo, sua filha da puta!"
Nunca houve, na realidade ou na ficção, uma declaração de amor tão sincera como aquela!

Daqui a um pouquinho já estaremos no 7 de julho de 2012, quando se comemorará os 200 anos da cidade de Pelotas.

Então, parafraseando o Nei, declaro-me à minha terra, agora, com igual sinceridade: eu te amo, sua filha da puta!

quarta-feira, 4 de julho de 2012

É nóis na fita, mano!



    Hoje à noite decide-se a Taça Libertadores deste ano. Como todo o mundo sabe, em São Paulo, Corinthians e Boca Juniors se enfrentam no jogo de volta da final. Enquanto isso, aqui no Rio Grande do Sul, a imprensa grenalista trata de fazer campanha explícita para que se torça pelos argentinos. Para tanto, chegam a levantar argumentos do tipo: o futebol gaúcho se assemelha ao jogado na argentina, de mais "pegada". Grande besteira! Primeiro porque não existe um "futebol gaúcho", caracterizado por estilo próprio de se jogar bola. Segundo, porque, afinal, pouquíssimos são os verdadeiros gaúchos que se alinham nas escalações do Grêmio e do Internacional. Aliás, desde quando os "estrangeiros" Vanderlei Luxemburgo e Dorival Junior têm a ver com o jogo dito "guerreiro" alardeado neste sulzinho?
  Querem, na verdade, não que o Boca vença, mas que o Corinthians não ganhe a Libertadores! A loucura que têm pelos dois "times grandes" daqui é tão doentia que não conseguem separar a condição de profissionais da informação, de jornalistas, da de meros torcedores roxos.
   Sob o título "O Boca é gaúcho", Diogo Olivier escreveu hoje, na Zero Hora, a seguinte pérola (na qual confessa o que aqui aponto):  

  O Corinthians campeão da Libertadores pode significar o começo de um período de hegemonia preocupante para clubes que habitam zonas de mercado não tão ricas como São Paulo.
Antes, tratava-se de um gigante adormecido, encravado no maior centro econômico do continente, com uma torcida de milhões de pessoas no país inteiro, mas cuja baderna administrativa impedia a transformação de tudo isso numa potência.
    Agora, não.
   Agora o Corinthians se organizou e vai para o terceiro ano como maior receita entre os clubes brasileiros (R$ 290 milhões), distanciando-se a passos largos de São Paulo (R$ 226 milhões) e Inter (R$ 198 milhões). Terá um estádio padrão Fifa para gerar renda que já é fruto deste força política, bancado com dinheiro público.
   O título da Libertadores e a presença numa final mundial seriam o cartão de visitas de uma mudança de patamar e de mercado para o Corinthians.
   A derrota para o Boca pode retardar este caminho, dando tempo para seus adversários criarem mecanismos de gestão e reagir.
   O Corinthians campeão é bom por Tite (foto), discípulo da escola gaúcha de treinadores, herdeiro Ênio Andrade e um dos profissionais mais corretos, capazes e gentis que conheço no futebol.
    Mas para Grêmio e Inter é ruim.
    
    Não, Diogo, equívoco teu. O Boca não é gaúcho. O Boca é Gre-Nal.
   Eu, torcedor xavante - e só xavante! - tenho a obrigação de, conforme teu argumento, roer as unhas e gritar loucamente pelo Corinthians à noite. Claro: se a vitória corintiana é ruim para a dupla, é boa para o Brasil (e para o Pelotas, para o Farroupilha, para o Panambi, para o Fortes e Livres de Mussum...). 
     É nóis na fita, mano! SALVE O CORINTHIANS!
     Danem-se Grêmio e Internacional!

terça-feira, 3 de julho de 2012

Lasier vem aí

Jornal do Almoço comemora os 200 anos de Pelotas com festa no centro da cidade

Programação local é apresentada direto de um estúdio de vidro




"Lá diatrás da perfeitura
tem um estúdio di vídrio.
Quem sentá indentro dele, 
vai saí cuncu firido"

Depois de ter sofrido o famoso choque na Festa da Uva, quem sabe agora o Lasier Martins nos da o prazer de ver a realização da profecia da velha quadrinha popular.

60 years on the throne*

*Não sei a quem creditar, catei no facebook. Perfeito!

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Comenta-se no Vesúvio da XV com 7

     O padroeiro desta terra, São Francisco de Paula, foi homenageado com uma procissão nesse domingo que passou. Mais de cem veículos, enfeitados com balões amarelos e brancos, acompanharam a imagem do santo por diversas ruas da cidade, até a Prefeitura, onde foi recepcionada pelo prefeito Adolfo Fetter, o "Jotaérre". As quengas do Bangalô, mesmo contrariando os fiéis católicos, fizeram-se presentes no cortejo religioso. Agora a chuva vem!

eu nasci assim
eu cresci assim
e sou mesmo assim
vou ser sempre assim
 

Só o homi que pode ajudá

    Na coluna Linha Direta  de sexta-feira, o Diário da Manhã informou que "O Mercado Central ainda não foi reaberto mas já recebeu um ritual de batismo, realizado pela Sociedade Beneficente São Jerônimo. Numa cerimônia coordenada pela Yá Joyce de Xangô, juntamente com a Yá Gisa de Oxalá, membros da religião afro restabeleceram o bará (proteção) que havia sido removido por conta das obras de restauro. Os participantes da cerimônia religiosa africanista sacrificaram um cabrito, três galos e um casal de pombos que, segundo eles, servirá na proteção e para que o Mercado Central obtenha sucesso. Estiveram presentes, como representantes das autoridades locais, o vereador Ademar Ornel e o Engenheiro responsável pelo restauro, Ricardo Silveira."
    Se a moda pega, dia 1º de janeiro do ano que vem os africanistas terão muito trabalho ali no Paço Municipal. Para limpar os maus espíritos deixados pelo encosto que nos governa até o último dia de 2012, haja galos e pombos... E o bom cabrito Macluf que faça beicinho, se queixe para o Celso Bernardi, mas não berre (porque já levou a obé na jugular e foi sacrificado pelo coisa ruinzinha - cuja preferência por candidatos lácteos é evidente).