segunda-feira, 11 de abril de 2011

Um 32 e um 38

               No dia 23 de outubro de 2005 todos os brasileiros foram chamados a decidir a respeito da manutenção, ou não, do texto do art. 35 do Estatuto do Desarmamento (que previa a proibição da comercialização de armas de fogo e munição no território nacional, salvo para as entidades especilamente previstas no próprio Estatuto).
                A consulta popular foi feita através da seguinte questão: "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?".
                Ao final,  o "não" alcançou 59.109.265 votos (63,94%), enquanto o "sim"  obteve 33.333.045 votos (36,06%). O Rio Grande do Sul foi o estado em que, proporcionalmente, o "não" obteve a maior "vitória", com 5.353.854 votos (86,83%).
                 Não bastasse o imenso "lobby" da indústria e do comércio ligados ao armamento, determinante para esse resultado foi, sem dúvida, a disseminação de ideias como a de que "o cidadão de bem tem o direito de ter uma arma para exercer sua defesa", ou a de que "não é o cidadão de bem que deve ser desarmado, mas o bandido".
                 Antes de cometer o fuzilamento das crianças na escola de Realengo o assassino se enquadrava no conceito de "cidadão de bem", na medida que sem qualquer antecedente criminal. Estava apto, então, conforme esse entendimento dos opositores do desarmamento, a dispor de arma de fogo e de munição. O fato de as armas por ele usadas na chacina serem "ilegais", bem como de que não tinha "porte" dessas armas, não afastava - até então - sua condição prévia de "cidadão de bem". Além disso, é sabido que a esmagadora maioria do armamento guardado nas casas e veículos neste país são, da mesma forma, obtidas e mantidas clandestinamente por respeitáveis pais de família.
                 Armas de fogo servem exatamente para a finalidade que o matador do suburbio do Rio deu a elas: matar. Quem adquire uma pistola, um revólver, munição, quer, no fundo, no fundo, meter umas balas em alguém (exatamente como o infame carioca fez). Aguarda apenas uma oportunidade.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Palpabilidade

                        Lá na metade dos anos oitenta comprei um videocassete. Philco-Hitachi, grandão e, como era fundamental frisar na época, com "quatro cabeças". Comecei, então, a colecionar filmes em VHS. Uns precariamente gravados direto da televisão, sem muito critério; outros, bem escolhidos, especialmente gravados para mim (meio "na moita") pelo dono de uma videolocadora que ficava ali na praça.
                 Orgulhoso da minha coleção, fui surpreendido, uma vez, por uma pergunta de um amigo a respeito da minha filmoteca: "para que tu queres isso?" Como esse meu amigo, muitas pessoas não se preocupam em ter as coisas. Pensam: se quero ver um filme, pego na locadora; se quero qualquer coisa, busco na internet.
                 Eu, ao contrário, não "funciono" assim. Preciso ter por perto as coisas das quais gosto. À mão. Tenho dificuldade em descartar e com o descartável.Assim como meu velho videocassete e minhas fitas VHS (mofadas e tudo), estão comigo até hoje a máquina de escrever Olivetti Lettera dos tempos de Panambi; meu "som" Technics (incluindo toca-disco e gravador com double cassete deck); assim como centenas de LPs. Todos os meus botões antigos estão guardados, juntamente com os Matchbox da infância. (Acho até que, se, a partir deste momento, passasse exclusivamente à tarefa de ler todos os livros que tenho e ainda não li, a ver todos os filmes que juntei e ainda não vi, a ouvir os discos que estão aqui  e ainda não ouvi, o que me resta de vida não seria suficiente - e  isso que ainda pretendo viver muitos e muitos anos!)

Eu Te Amo (1981)
                  Não me serve o virtual. Preciso tocar as coisas. Para mim elas têm que ter forma, peso, cor, cheiro. Não me conformo com o virtual, o que só está no ar. O virtual não tem a tal palpabilidade que a Sônia Braga e o Pereio imortalizaram em Eu Te Amo.
                 Um tempo atrás um estagiário que estava trabalhando comigo me mostrou, no modernoso celular dele, a fotografia de uma guria muito bonita. Era, segundo disse, a namorada dele. Tinham se conhecido pela internet. Ele morava aqui e ela em... Vila Velha, no Espírito Santo (!). "Namoravam" há semanas e estavam planejando se encontrar em breve.
                 Como o Analista de Bagé, fui curto e grosso: "mandei" que deixasse de ser bobo, que não existe essa estória de namoro virtual!  
                 Acho que a "terapia do joelhaço" funcionou com o (ex)estagiário. Nunca mais falou da guria lá do Espírito Santo. Fiquei sabendo que arranjou um namorado, com quem vive nada virtualmente aqui em Pelotas. 

terça-feira, 5 de abril de 2011

Os hôme de preto, os hôme de preto...

                   Renato Marsiglia é riograndino e ex-árbitro de futebol. Desde que abandonou o apito amigo (da dupla GreNal), passou a ser comentarista da RBS. Vale dizer: passou a ser comentarista dos chamados "grandes", ignorando, olimpicamente, o futebol do interior. Apesar disso, o DP publica semanalmente uma coluna assinada pelo papareia, na qual ele trata dos assuntos ligados aos times da capital (exceto ao Cruzeiro, ao São José ou ao Porto Alegre, que, provavelmente, nem sabe que existem). Numa dessas, reclamou da forma rude como os jogadores dos clubes do interior se comportam contra os "grandes", perigando, assim, machucar algum milionário craque. Já pensou se um qualquer lá do Lajeadense dá uma chegada no Guiñazu (aquela "moça") e tira o cara de um jogaço da Libertadores (como esses que se tem visto, contra gigantes do futebol internacional, como o Boyacá Chicó, o Jorge Wilsterman e o Liverpool charrua!).
                  Outro que segue o mesmo caminho é o nosso glorioso conterrâneo, Leonardo Gaciba. Não tendo mais condições físicas para se manter como árbitro de futebol, aposentou seu apito e, imediatamente, foi contratado pela RBS como "comentarista de arbitragem". Achou perfeitos os 8 minutos de descontos dados "contra o Caxias" no jogo final do 1º turno do Gauchão. Acharia bem adequado, certamente, que estivesse o jogo se desenvolvendo até agora, se o Grêmio não tivesse, naquele "tempo extra", empatado e levado a decisão para os pênaltis.
                   Esse comportamento é ancestral! Comentam conforme apitavam.

No último dia de 1955 a Manchete Esportiva publicou a seguinte crônica de Nelson Rodrigues. (Há 55 anos ainda não existia o comentarista de arbitragem)

O Juiz Ladrão

                    De vez em quando, eu esbarro num saudosista. É um sujeito esplêndido, que vive enfiado no passado. Direi mais: — vive feliz e realizado no passado como um peixinho num aquário de sala de visitas. E convenhamos que isto é bonito, é lindo. Outro dia, um deles atracou-se comigo no meio da rua; arrastou-me para o fundo de um café, e, lá, com o olho rútilo e o lábio trêmulo, pôs-se a falar de Marcos de Mendonça, o “Fitinha Roxa”; da “espanhola”; do assassinato de Pinheiro Machado e do campeonato que o Botafogo tirou em 1910. Mas, nos vinte minutos da conversa retrospectiva, já lhe pendia do beiço uma grossa, uma espuma bovina, uma baba elástica. De mim para mim, compreendi essa nostalgia, louvei essa fidelidade ao passado. Amigos, eis uma verdade eterna: — o passado sempre tem razão.
                    Por exemplo: — o futebol antigo. Era, a meu ver, um fenômeno vital muito mais rico, complexo e intrincado. Hoje, os jogadores, os juizes e os bandeirinhas se parecem entre si como soldadinhos de chumbo. Não encontramos, em ninguém, uma dessemelhança forte, crespa e taxativa. Não há um craque, um árbitro ou um bandeirinha que se imponha como um símbolo humano definitivo. Outrora havia o “juiz ladrão”. E hoje? Hoje, os juizes são de uma chata, monótona e alvar honestidade. Abrahão Lincoln não seria mais íntegro do que Mário Vianna. E vamos e venhamos: — a virtude pode ser muito bonita, mas exala um tédio homicida e, além disso, causa as úlceras imortais. Não acredito em honestidade sem acidez, sem dieta e sem úlcera.
                     Mas ponha-se um árbitro insubornável diante de um vigarista. E verificaremos isto: — falta ao virtuoso a feérica, a irisada, a multicolorida variedade do vigarista. O profissionalismo torna inexeqüível o juiz ladrão. E é pena. Porque seu desaparecimento é um desfalque lírico, um desfalque dramático para os jogos modernos. Vejam vocês que coisa melancólica e deprimente: — um jogo de futebol tem 22 homens. Com o juiz e os bandeirinhas, 25. Acrescentem-se os gandulas e já teremos um total de 29. Vinte e nove homens e nem um único e escasso canalha, nem um único e escasso vigarista! Eis a verdade, que levaria um Balzac ao desespero e à úlcera: — as condições do futebol contemporâneo tornam impraticável a existência do canalha. Ou por outra: — o canalha pode existir, mas contido, frustrado, inédito, sem função e sem destino.
                     Mas em 1918, 17 ou 16, os gatunos constituíam uma briosa fauna, uma luxuriante flora. Evidentemente, havia as exceções. Mas os salafrários podiam apitar as partidas e com que glorioso, com que genial descaro! Certa vez, foi até interessante: — existia um juiz que era um canalha em estado de pureza, de graça, de autenticidade. Um domingo, ele vai apitar um jogo decisivo. Que fazem os adversários? Tentam suborná-lo. Ora, o canalha é sempre um cordial, um ameno, um amorável. E o homem optou pela solução mais equânime: — levou bola dos dois lados. Justiça se lhe faça: — roubou da maneira mais desenfreada e imparcial os dois quadros. Ao soar o apito final, os 22 jogadores partiram para cima do ladrão. Mas o gângster já se antecipara, já estava pulando muros e galinheiros. Era uma figurinha elástica, acrobática e alada. Isto foi em 1917. O juiz gatuno está correndo até hoje.

Encarnando o "juiz ladrão", Otávio Augusto está perfeito no filme Boleiros (1998), de Ugo Giorgetti.

 

domingo, 3 de abril de 2011

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Desanuviando

                    No mais legítimo exercício da bipolaridade que permeia este blog, permiti-me reproduzir (com "cores próprias" e "moral da história") uma piadinha que anda circulando por aí:

                   Um desses Fagundes, lá do Alegrete, chegou no bolicho. Viu os preços, num cartaz pregado na parede. Lá estava:                                        
                                          Caña  R$ 1,00
                                         Cerveja R$ 2,50
                                         Pastel  R$ 2,00
                                         Recheada R$ 3,00
                            Massagem nos  bago R$15,00
                


                Deu uma olhadita no dinheiro da guaiaca, pra não passar vergonha, e se foi até o balcão, onde estavam três gurias.
                Chamou uma delas:
                — Ô guria, com licença…
                — Sim? - respondeu ela, solícita - No que posso servir?
                — É tu que massageia os bago dos freguês?

               — Sou eu mesma… —  confirmou a chinoca, com um jeito matreiro.
                — Então tu lava bem as mão... e me serve um pastel!!!

É como se diz no bom e velho MTG: gaúcho pode ser grosso, mas é limpo que nem água de poço!

31 de março (II) A catarse

Ufa! Não foi fácil ler a última postagem do Ari!!! Sozinho em um hotel em Uberlândia fui lendo e me emocionando... Fiquei com vontade de, novamente, me refugiar em Jaguarão para me acalmar. Tempos terríveis para todos nós. De amigos e de canalhas! De solidariedade e de desconfianças. Nascido em 1963, demorei um bom tempo para me acostumar com as rotinas de proteção. Hoje tenho plena consciência do quanto fui marcado negativamente por tudo aquilo. Mas também ficou uma paixão pela família, um gigantesco respeito pelos meus pais e uma correta compreensão sobre o que significa ter verdadeiros princípios – lutar por eles e ser radicalmente intransigente por eles! Por muitos e muitos anos, sonhei que o sobrado da Pe. Felício estava sendo invadido ou que nós não conseguíamos pular o muro da casa da Butuí... Fugir, fugir, fugir... Foi o que o pai não fez! Ele, com a mãe ao seu lado e segurando nossas mãos, enfrentou tudo! (outros não conseguiram...) Eu estava presente quando o pai defendeu – finalmente – a sua tese na Faculdade de Direito, foi ali que decidi meu rumo. Desde então tenho participado de inúmeras defesas de teses e de dissertações. Mas em nenhuma delas reencontro tamanho significado e emoção.
(PS. são 07h30min da manhã, tenho uma reunião na Universidade Federal de Uberlândia, e estou aqui inchado de tanto chorar).
Andrey

Na carona do dia de ontem



santinho do Leonel
                Naquela histórica primeira eleição para Presidente da República, depois da ditadura e do governo Sarney, nos dividimos. A mãe e eu éramos Brizola. Os outros, Lula. No dia da votação, na frente de casa - ali na Barão de Butuí -, democraticamente, cada uma das candidaturas teve seu espaço. Cartazão com a cara do "caudilho" de um lado, o "sapo barbudo" e a bandeira vermelha com a estrela amarela de outro. Lamentavelmente, perdemos. Ganhou o Collor, lembram? E quem haveria de esquecer...
                Oito anos depois, Lula e Brizola compuseram a chapa que, por razões óbvias, foi apoiada unanimente por todos nós. Não deu, de novo. FHC bisou sua vitória de quatro anos antes. Acho que o Brizola não tinha jeito para vice, muito menos do Lula. Não era um Zé Alencar. Brizola jamais receberia troféu de "melhor ator coadjuvante". Sempre foi protagonista (como o próprio Lula).
                A propósito, achei nos meus "arquivos" este texto do José Carlos Laitano (que foi originalmente publicado nO Informativo do Vale, de Lajeado (!!!). Tem o título Maravilhoso mundo novo: Brizola". Apesar de não ser formalmente muito bom, acho que vale a pena ser lido (e guardado):
Querido neto: estamos no final dos anos cinquenta, só não me pergunte as datas específicas. O Leonel Brizola é um homem nos seus trinta e tantos ou quarenta anos. Devia ser governador. Na rua do Rosário, hoje Vigário José Inácio, tinha uma casa com auditório e ali, uma vez por semana, ele discursava para a pequena platéia. Elegia um tema e falava durante bom tempo. Lembro ter ido ao menos uma vez. Ele era um ideólogo meio popularesco, meio tipo Lula, não embasava suas ideias em grandes doutrinadores, simplesmente emitia conceitos próprios, com fala bem popular. O povão adorava. O país quase sempre viveu sob ditaduras e estávamos num período de democracia, Getúlio matou-se poucos anos antes, em 54, sem nada consultar, creio que o presidente era o Juscelino Kubitschek, construindo Brasília, ou já era o Jânio. Tinha o Lacerda, o corvo carioca, como era descrito e pintado pela esquerda. Lacerda também era grande orador e infernizava a vida de todo o mundo. Tinha os militares que se metiam na política, sempre querendo mandar no país. Logo adiante, Jânio Quadros presidente, aconteceu a Primeira Legalidade, em 1960. Isso interessa menos. Importa que Jânio fez sua campanha segurando uma vassoura prometendo varrer a corrupção. Eu comprei um pregador de lapela, a vassourinha. O povo acreditou no homem. A turma da direita nunca deu trégua. Jânio fez aquela trapalhada de renunciar falando em forças ocultas. Assumiu o vice, que era Jango, o João Goulart, um sujeito que nunca inspirou-me confiança, parecia-me mais um filho de papai, filho rico, fazendeiro, filhote político de Getúlio e cunhado de Brizola. Os militares tentaram o golpe. Hoje sabemos que essa tentativa foi pensada e coordenada pelos Estados Unidos, a época era de intenso anticomunismo, a Rússia assustando o capitalismo e Cuba apresentava Fidel Castro ao mundo. Tentaram derrubar Jango. Brizola rebelou-se, formou a famosa Cadeia da Legalidade, tomando conta das rádios gaúchas, discursando diariamente, músicas altaneiras o tempo todo, o pessoal do Teatro de Equipe criou a Marcha da Legalidade que tocava o dia todo, o povo cantava a música, o palácio virou fortaleza. No centro, perto do cinema Vitória, na Borges esquina Andrade Neves, havia uma construção no formato do mata-borrão. Mata-borrão era algo parecido com carimbo, uma peça de madeira, com cabo em cima e a parte debaixo encurvada e coberta com papel que chupava tinta. Usava-se caneta-tinteiro, escrevia-se, a tinta permanecia molhada um tempo, se passasse o dedo borrava tudo. Daí o mata-borrão, colocado sobre o escrito, secava. O prédio tinha esse formato e era conhecido como mata-borrão. Existiu até pouco tempo atrás. No mata-borrão ficou o QG popular. Na verdade o povão nada tinha o que fazer ali, mas ficavam conversando, sabendo das notícias, distribuindo bandeirinhas, fazendo abaixo-assinados, essas coisas. Eu fui cooptado por um advogado, ele ofereceu seu escritório ao lado do Mata-borrão, eu levei uma turma de estudantes secundaristas, tipo 15 a 17 anos, e ficamos duas semanas esperando entrar em ação. Qual ação? nem me pergunte. Mas éramos anticomunistas. Íamos ao Mata-borrão para saber o que faziam e contávamos ao advogado cujo nome esqueci. Fomos espiões, na verdade, mas disso não tínhamos consciência, mas foi genial pensar que estávamos participando da história de algum modo. Ao mesmo tempo que atuávamos no anticomunismo, para falar a verdade nem sei se era isso mesmo, eu admirava o Brizola, torcia por ele, queria vencer os golpistas. O clima nas ruas era de festa, todo o mundo se cumprimentava, não tínhamos inimigos no Estado, os inimigos estavam lá no centro do país. O Terceiro Exército estava com Brizola. A Brigada Militar estava com Brizola. A polícia estava com Brizola. Artistas, intelectuais e todo mundo estava com Brizola. Ele era o cara. Avante brasileiros, de pé, unidos pela liberdade, marchamos todo o mundo com a bandeira, em prol da legalidade. Era a música que todos cantavam. Durou alguma coisa como duas semanas, foi o tempo em que ficamos confinados naquele escritório de advocacia. Finalmente os golpistas desistiram, Jango aceitou o parlamentarismo, um tipo de governo feito para alguns países europeus, que não serve para o brasileiro que avacalha com tudo. Brizola tornou-se herói nacional. O típico machão gaúcho. Quatro anos mais tarde aconteceria a Segunda Legalidade e eu estaria do outro lado, na Esquerda. Essa é outra história. Setembro de 2009